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DJs e Shows – Festival Taguatinga de Cinema 2018

Já estão confirmadas as atrações culturais que irão permear toda a programação do Festival Taguatinga de Cinema 2018. Além da mostra competitiva, paralela e oficinas, o festival sempre apresenta ao público festas com DJs e shows com consagrados grupos e artistas.

No dia 22 de agosto, o Coletivo Afrobixas abre os trabalhos na Festa de Abertura, a partir das 22h30, no Teatro da Praça de Taguatinga. Na quinta, 23, o DJ Gérson Deveras, prata da casa, faz discotecagem na Galeria Olho de Águia, localizada na Praça da CNF. No dia 24, também na CNF, é a vez do DJ Itin do Brasil apresentar seu set no Bar Isso Aqui é DF.

A Noite de Encerramento acontece no dia 25, com muita festa. Após a premiação dos vencedores, realizadores, equipe de produção e público seguem noite a dentro, celebrando juntos ao som da cantora Moara, apresentando seu trabalho autoral recém-lançado, e do grupo Saci Weré, tocando brasilidades e sonoridades latinas.

Para conferir a programação completa, acesse o SITE.

Moara. Foto Thaís Mallon

Saci Weré. Foto Thaís Mallon

Coletivo Afrobixas

DJ Gérson Deveras. Foto Samuel Macedo

DJ Itin do Brasil



Audiovisual nas escolas: quando o vídeo vira lugar de fala e oportunidades

João Vitor Pinheiro da Conceição tem 17 anos, é morador do Guará (DF) e estuda Cinema. É universitário com bolsa 100% financiada pela instituição onde estuda, oportunidade que veio através de prêmio concedido pelo 3º Festival de Filmes Curta-Metragem das Escolas Públicas (2017), voltado às escolas de ensino médio, educação profissional e estudantes do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). João ganhou a premiação pelo curta de nome 100% Ocupado, pelo qual foi eleito como Melhor Diretor. Em 2016, através do curta Paranoia, também foi premiado como Melhor Ator.

A 4ª edição do Festival de Filmes Curta-Metragem das Escolas Públicas de Brasília – Fest Curtas acontecerá em 2018 e movimentará, novamente, a cena audiovisual em escolas públicas no DF. Com o objetivo de revelar, reconhecer e afirmar as identidades culturais de estudantes, proporcionando a troca de experiências entre jovens de diferentes cidades, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal aposta mais uma vez nesse processo, que tem mostrado importantes resultados pedagógicos.

As inscrições para o Festival abrem no dia 10 de julho e seguem até o dia 10 de agosto, onde podem participar estudantes realizadores que estejam matriculados na rede pública, a partir das séries finais do ensino fundamental. A mostra do 4ª Fest Curtas será realizada no Cine Brasília, no dias 17 e 18 setembro, dentro da 51ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Difundir a linguagem audiovisual na educação tem mostrado o quanto essa experiência contribui na formação das pessoas em sala de aula. O protagonismo dos estudantes nas experimentações de produção de vídeos manifesta novos talentos como João Vitor. Para saber mais a fundo sobre essa experiência, conversamos com o jovem cineasta, abordando desde a sua participação aos reflexos educativos na vida que segue. Confira!

João Vitor na Premiação do Fest Escolas

 
Festival: João, como iniciou sua relação com o audiovisual?

Começou no ensino médio, através de um projeto interno da escola, que era promovido pelo meu antigo professor de Química. O nome dele é Peterson Paim. Nesse festival, tínhamos que fazer curtas-metragens relacionados à Química. Foi a partir daí que começou minha experiência com audiovisual, em 2015. Dessa experiência, eu produzi o curta Os 2 Candangos, um filme terrível em qualidade técnica, mas que passou no 1º Festival das Escolas Públicas de Brasília.
 
 
Festival: Por que decidiu participar?

A primeira vez que eu decidi participar foi em 2015, com o curta Os dois candangos. Eu participei por influência do meu professor de Química que incentivou a inscrevê-lo. Na verdade, ele incentivou todos os alunos a inscreverem filmes, que haviam sido produzidos na escola. Por sorte, o meu acabou passando lá no festival.

Nos anos seguintes, produzi outros três filmes e os inscrevi no Festival. Os três foram aprovados e exibidos. Em 2016, ganhei como Melhor Ator no filme Paranoia. No ano seguinte, 2017, resolvi focar em outro filme, o 100% Ocupado, que foi aprovado no Festival. É um documentário que relata as ocupações que ocorreram na minha escola. Com ele, eu ganhei a Melhor Direção.
 
 
Festival: Qual foi o papel dos professores nesses processos com o audiovisual na escola?

O Professor Paulo Firmino era meu professor de Matemática. Tínhamos por exigência do edital que, obrigatoriamente, ter um professor-orientador. Este professor não poderia estar diretamente ligado ao filme, mas poderia nos oferecer dias e incentivar nossa participação. Ele incentivava muito, tanto quanto o professor Peterson Paim.

No meu caso, especificamente, não seria tão importante o incentivo dos professores, pois já estava bem aflorada a ideia de querer fazer filmes, produzir curta-metragem. Mas tive relatos de outros estudantes que só realizaram os filmes por terem sido incentivados pelo professor. No meu caso, eu já tinha despertado esse sentimento.
 


 
 
Festival: Conte-nos mais sobre o seu filme 100% Ocupado, porque você escolheu esse tema?

Um dos filmes que eu escrevi para o Festival foi o 100% Ocupado, que eu ganhei de Melhor Direção. Este filme, aliás, não era para ser um filme. Quando houve a ocupação na minha escola, em 2016, eu me ofereci para registrar tudo e mostrar que as coisas que estavam acontecendo lá não estavam fugindo da lei, e que não era nada daquilo colocado pela grande mídia. Estava registrando realmente o que estava acontecendo nesse protesto dos estudantes.

Eu tinha todas essas mídias gravadas e, no meio da ocupação, eu pensei: posso transformar todas essas mídias em um filme. Filmei todo o processo, como estava a ocupação, as conversas dos alunos e o processo de desocupação. Cerca de oito meses depois, filmei todas as pessoas que estiveram à frente daquele protesto e editei. É um filme que não tem um posicionamento político, ele é apenas um relato do que aconteceu. Tem, claro, alguns alunos que se posicionam durante o filme, tanto contra quanto a favor, mas mostra a realidade, o que os estudantes estavam pensando no momento do protesto.

Outro filme que eu fui premiado, em 2016, como Melhor Ator, foi o Paranoia. É um curta e não sei como descrever o gênero dele. Eu interpreto o personagem principal, que se chama Hell Well, que é como se fosse um garoto esquizofrênico, que tem algumas ideias totalmente deturpadas do mundo, como se ele tivesse ficado solitário e, a partir daí, começa a pensar várias loucuras. Ele (o personagem) diz, por exemplo, que os habitantes da terra são como um colheita e, de repente, vinham pessoas para a colheita e outras para serem germinadas. Enfim, é cheio de loucura o filme.
 
 
Festival: Qual é o seu sentimento enquanto jovem estudante de escola pública por ter participado de uma experiência que valoriza tanto a expressão de vocês?

O audiovisual foi uma forma que levou minha voz para o mundo. É uma forma de eu me expressar para ele. Muitos alunos de escola pública, às vezes pelas condições financeiras, se sentem impedidos de mostrar suas artes e desejos para o mundo. A partir do audiovisual, vi que não me limitaria. Pude fazer um vídeo ou um filme e poderia publicar na internet, ninguém me limitaria ali.
 
 
Festival: Quais foram, na sua opinião, os impactos do Fest Curtas nas Escolas na educação pública?

Eu estudava no Centro Educacional do Guará 1. Esta é uma escola que tem muitos projetos artísticos, que envolvem diversas expressões, como música, cinema, dança, entre outras. Acredito que seja a escola de Brasília que mais forma pessoas que direcionam suas carreiras e trabalhos para o mundo das artes. De lá, saiu um grafiteiro chamado Toys, por exemplo, assim como muita gente saiu para fazer gibi, filmes, cantar, etc. Essa escola incentiva muita gente a praticar da arte.

Quando a gente escreveu e passou os primeiros filmes, os alunos passaram a se interessar mais pelos projetos que já tinham na escola e a dedicar-se a eles. E essa questão de ganhar o festival mudou bastante a minha vida. Junto com o prêmio de Melhor Diretor, pelo 100% Ocupado, veio uma bolsa de estudos também. Junto com ele ganhei uma bolsa de 100% para estudar Cinema numa faculdade particular. Isso mudou toda a minha vida! Hoje, eu estudo graças a esse processo do audiovisual.
 

Por Daniela Rueda – produtora cultural
e Webert da Cruz – jornalista no Estúdio Gunga

 



Mostra Paralela WIFT Brasil – Women In Film & Television

O Festival Taguatinga de Cinema firmou parceria com a WIFT Brasil – Women In Film & Television, uma rede internacional que oferece suporte profissional, oportunidades de desenvolvimento, networking e reconhecimento para mulheres que trabalham nas mais diversas áreas do audiovisual.

Para apresentar de forma mais fluída a proposta da WIFT, realizamos entrevista com a cofundadora no Brasil, a produtora Nágila Guimarães. Leia AQUI.

Em agosto, durante a programação da Mostra Competitiva, realizaremos a Mostra Paralela WIFT, onde a curadoria do Festival Taguatinga de Cinema irá selecionar, exclusivamente, curtas-metragens produzidos por mulheres brasileiras associadas à rede.

Se você ainda não se associou à WIFT-Brasil, é simples! Basta se cadastrar no site da rede, sem custos ou burocracias.

Para inscrever seu filme na Mostra Paralela WIFT, siga os seguinte passos:

  1. Ler o REGULAMENTO.
  2. Se cadastrar como associada da WIFT-Brasil, pelo site: www.wiftbrasil.org.
  3. Realizar inscrição do seu filme no site do Festaguá, pelo Painel de Usuário: www.festivaltaguatinga.com.br/festivalTagua/usuario/site/login

O resultado da lista de obras selecionadas estará disponível aqui no site a partir do dia 30 de julho de 2018​, sendo este prazo prorrogável a critério da organização do Festival.

 



WIFT BRASIL – ENTREVISTA COM A CO-FUNDADORA NÁGILA GUIMARÃES

Em 2017, o Festival Taguatinga de Cinema realizou uma edição inteira voltada ao tema “Nossa porção mulher”, levantando o debate sobre a presença feminina no audiovisual. Um ano depois, como o tema “O movimento em nós”, a pauta de gênero continua a reverberar como um movimento que não para.

Em 2018, o Festaguá firma parceria com a WIFT Brasil – Women In Film & Television, uma rede internacional que oferece suporte profissional, oportunidades de desenvolvimento, networking e reconhecimento para mulheres que trabalham nas mais diversas áreas do audiovisual, conectando mais de 13 mil associadas, em 18 países dos 5 continentes.

No Brasil desde 2013, a rede segue objetivando o protagonismo da mulher na TV, no Cinema e em novas mídias através de vários projetos. Para isso, convoca novas mulheres da área a se associarem, integrando um banco de dados mundial e podendo participar de eventos de networking e do festival internacional de curta-metragem que exibe apenas filmes de membras da WIFT pelo mundo.


MOSTRA PARALELA

Em agosto, durante a programação da Mostra Competitiva, realizaremos a Mostra Paralela WIFT, onde a curadoria do Festival Taguatinga de Cinema irá selecionar curtas-metragens produzidos por mulheres brasileiras associadas à WIFT Brasil. Acesse AQUI e saiba mais.


ENTREVISTA

Nágila Guimarães

Para firmar nossa parceria, entrevistamos a co-fundadora da WIFT Brasil, a produtora Nágila Guimarães, que conta um pouco mais sobre o histórico da rede no Brasil e no mundo.

Empreendedora cultural, desde 2001, Nágila atua na produção de festivais como Sundance Film Festival (2002), Miami International Film Festival (2003-2008) e Abu Dhabi Film Festival (2008-2012). Cursou Economia na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Comércio Exterior na UCLA (Los Angeles) e Produção de Vídeo e Distribuição na New School For Social Research (Nova Iorque). Foi membra do Conselho Consultivo do Geena Davis Institute para a realização do simpósio Gender in Media no Brasil (2016). É também curadora e produtora de importantes mostras, como a 7ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, Mostra de Cinema Árabe e Cinema Georgiano: Um Século de Filmes, além da Mostra Cinema Brasileiro, no Peru.


Festival: De forma breve, como surgiu a WIFT e como se constrói a atuação da rede diante das mudanças de paradigma relacionadas ao feminino e aos feminismos que vivemos hoje?

A rede Women In Film & Television surgiu em Los Angeles, em 1973. Foi uma iniciativa da jornalista Tichi Wilkerson Kassel (ex-editora da revista Hollywood Reporter), que, ao obter a informação que apenas 2% dos roteiros de TV eram escritos por mulheres, decidiu pensar alternativas para apoiar o desenvolvimento profissional das realizadoras. Logo, a organização cresceu rapidamente nos EUA e se espalhou pelo mundo.

Desde 2015, mulheres em nível global iniciaram um movimento no mercado audiovisual. Este movimento tem demonstrado que a luta pela paridade de gênero não é suficiente. Necessitamos de uma conscientização do desequilíbrio sistêmico, que exige mudança cultural e de políticas em toda a estrutura de poder do mercado audiovisual. Através de ações de mobilização, debates e networking, criamos oportunidades de engajamento na luta pela conquista de paridade e inclusão
a nível nacional e internacional.


Festival: A WIFT chegou no Brasil em 2013 e a sede, no Rio de Janeiro, é a primeira da América do Sul. Porque a escolha do Brasil? Já existem sedes ou atuações em outros países hermanos?

As nossas hermanas são a WIFT-México e WIFT-República Dominicana. A WIFT Brasil surgiu meio que por acaso. Eu estava morando nos Emirados Árabes e trabalhando para o Festival de Cinema, quando conheci Rashmi Lamba, produtora indiana. Naquele momento, ela estava envolvida com a criação da WIFT Dubai e começamos uma conversa sobre a rede. Rashmi comentou que ainda não existia nenhuma WIFT na América do Sul e sugeriu que eu levasse esta iniciativa para o Brasil. Eu me interessei muito pela rede, mas hesitei sobre a ideia, porque estava morando fora do Brasil, mas decidi aceitar o desafio.

Debate “Como criar condições para cineastas mulheres realizarem seu primeiro filme”, no Festival de Cinema Ponte Nórdica, no Rio de Janeiro (Abril/2016). Com Katja Wik (Suécia), May el-Touhky (Dinamarca), Maristela Bizarro (WIFT Brasil) como mediadora, Debora Ivanov e Vera Egito.

 

Festival: Desde a chegada da WIFT no Brasil, como você percebe o envolvimento das realizadoras brasileiras e quais projetos ou eixos de ação estão se encaminhando com mais força no país? Podemos citar parcerias com realizadoras brasileiras que se apresentam como referência?

Acompanhando um movimento global no mercado do audiovisual, surgiram no Brasil várias organizações e grupos de mulheres refletindo e buscando soluções sobre a falta de representatividade feminina no audiovisual. As mulheres estão ajudando umas às outras e cultivando a próxima geração de realizadoras.

As políticas públicas implementadas pela Ancine são muito importantes para minimizar o gap da desigualdade de gênero, raça, regionalismo e orientação sexual. Outra grande contribuição da agência foi a divulgação do estudo realizado em 2016 sobre a Participação Feminina na Produção Audiovisual Brasileira. Pesquisas são fundamentais para compreender melhor a dimensão de um problema complexo, que não pode ser limitado apenas a buscar paridade de gênero na distribuição dos cargos e remuneração. Existe uma crescente conscientização de que a desigualdade é interseccional entre gênero, etnia, classe social e orientação sexual.

Débora Ivanov representa uma grande referência, pois sempre apoiou e se envolveu, tanto na implementação das políticas públicas da Ancine quanto nas ações da sociedade civil que defendem mais igualdade no mercado audiovisual.


Festival: É visível um aumento da presença de mulheres no mercado audiovisual, mas sabemos que ainda é preciso avançar. Em relação aos próprios filmes, você percebe narrativas predominantes nas produções realizadas por mulheres? Os espaços galgados também são traduzidos nos filmes?

As mulheres estão construindo suas narrativas com maior autonomia, pois uma pequena brecha tem sido aberta. Maior acesso, investimento, pluralidade e liberdade de criação estão refletindo na diversidade das produções e narrativas. Apenas dois exemplos na América Latina: Kbela (de Yasmin Thayna) e Pelo Malo (de Mariana Rondon) exemplificam essa mudança, que tem um longo caminho a percorrer…

Simpósio global sobre gênero na mídia, realizado na sede do Google, em São Paulo (março/2016). Parceria WIFT Brasil, Instituto Geena Davis, Google e outras organizações.


Festival: A WIFT, além da TV e do Cinema, também propõe o suporte às mulheres que trabalham com novas mídias. Como você analisa o uso da internet e suas diversas plataformas no avanço do cenário audiovisual feito por mulheres?

A evolução das tecnologias digitais vem transformando a produção e o acesso ao conteúdo. Isto proporcionou mais uma ferramenta fundamental para ajudar as mulheres a produzirem e exibirem seus trabalhos. Além disto, possibilitou maior conexão entre mulheres, com o surgimento de várias redes de suporte. As novas janelas de exibição e a mudança no perfil do espectador representam uma ruptura profunda na forma como as obras audiovisuais são assistidas, refletindo também na produção. No entanto, continua havendo uma grande concentração dos recursos na distribuição, elo da cadeia responsável pelo investimento na divulgação dos filmes. Não podemos negar que o interesse do grande público, em parte, depende de um esforço de propaganda. Sem dúvida, ainda falta investimento na distribuição de filmes realizados por mulheres.


Festival: A WIFT irá realizar uma mostra paralela dentro da programação do 13º Festival Taguatinga de Cinema, que, em 2017, teve uma edição dedicada totalmente ao tema “Nossa porção mulher”. Essa é a primeira ação da rede em Brasília. Qual a expectativa e propostas?

A WIFT Brasil está buscando desenvolver seu trabalho em todo o país, o que só será possível através de parcerias e ações locais, como já estamos desenvolvendo no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Festival de Taguatinga de Cinema será a nossa primeira oportunidade de apresentarmos o trabalho da organização na região, para atrairmos associadas e parcerias. Assim, poderemos ampliar cada vez mais os impactos da nossa atuação.

Por Keyane Dias: jornalista cultural, poeta, terapeuta
e co-criadora da Pareia – Comunicação e Cultura


Filmes Selecionados – Mostra Competitiva 2018

É com grande alegria que o 13º Festival Taguatinga de Cinema anuncia a lista final dos filmes selecionados para a Mostra Competitiva de 2018. Seguindo a temática do ano, “O Movimento em Nós”, foram quatro curtas selecionados pela Curadoria Popular, por meio do Festival Online (já divulgados na semana passada), e 20 produções nomeadas pela Curadoria Oficial do Festival.

Ao todo, o Festaguá recebeu 380 inscrições, de todas as regiões do Brasil, com forte presença de realizadores(as) do Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Pernambuco, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Amazonas. As produções inscritas dividem-se em 165 filmes de ficção, 128 documentários, 54 experimentais, 22 animações e 7 infantis. A maior parte foram produzidas de forma independente e sem leis de incentivo.

Aguardem! Entre os dias 22 e 25 de agosto, chega a Mostra Competitiva, com a exibição dos filmes selecionados, mostras paralelas, Tagua Mapi, cerimônia de premiação, shows e muito mais! E, em julho, tem uma série de oficinas vindo aí!


CONFIRA A LISTA DOS SELECIONADOS (ordem alfabética)

A estranha velha que enforcava cachorros (Manaus/AM) – CURADORIA POPULAR
Direção Thiago Morais

Anderson (Conselheiro Lafaiete/MG)
Direção Rodrigo Meireles

Até provar que não (Salvador/BA) – CURADORIA POPULAR
Direção Lucas C. S. Portela

Boca de Fogo (Niterói/RJ)
Direção Luciano Pérez Fernández

Braços Vazios (Vitória/ES)
Direção Daiana Rocha

Carroça21 (São Paulo/SP)
Direção Gustavo Pera

Caso J (Rio de Janeiro/RJ)
Direção José Filipe Costa

Catálise (Brasília/DF)
Direção Reverson dos Anjos e Samuel Gonzalez

Desde Junho – Episódio Utopias (Rio de Janeiro/RJ)
Direção Julia Mariano

Elinor (Belo Horizonte/MG)
Direção Renato Sarieddine e Juliana Mafra

Invasores a 25km (Taguatinga/DF)
Direção Rafael de Paula e Larissa Matos

Invisíveis (Brasília/DF) – CURADORIA POPULAR
Direção Giovanni Ruggeri

Maria (Manaus/AM)
Direção Elen

Marias (Goiânia/GO)
Direção Edem Ortegal

Mercadoria (Rio de Janeiro/RJ)
Direção Carla Villa-Lobos

Mudança de Hábito (Belo Horizonte/MG)
Direção Álvaro Andrade, Thiago Rodrigues e Vinícius Andrade

Nanã (Recife/PE)
Direção Rafael Amorim

O corpo que me pertence (Goiânia/GO) – CURADORIA POPULAR
Direção Érico José

O seu sonho vale o seu dia? (Samambaia/DF)
Direção Pedro Souza

Os suspiros primários (Recife/PE)
Direção Jucélio Matos

Real Conquista (Goiânia/GO)
Direção Fabiana Assis

Sempre verei cores no seu dia cinza (Rio de Janeiro/RJ)
Direção Anabela Roque

Simbiose (Recife/PE)
Direção Júlia Morim

Transvivo (Vitória/ES)
Direção Tati Franklin



Edital aberto para o Festival de Filmes Curta-Metragem das Escolas Públicas de Brasília

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal selecionará 15 produções fílmicas do Ensino Fundamental – Séries Finais (6o ao 9o Ano) e 15 produções do Ensino Médio Regular, Educação Profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA – 1º, 2º e 3º Segmentos) para participarem do 4º Festival de Filmes Curta Metragem das Escolas Públicas de Brasília.

Os estudantes regularmente matriculados e que possuem produções realizadas já podem se preparar. As inscrições abrem no dia 10 de julho e seguem até o dia 10 de agosto. Para participar, é necessário ter todos os requisitos e concordar com os critérios estabelecidos no Regulamento. As produções inscritas devem estar postadas em rede social de compartilhamento de vídeos, como Youtube e Vímeo, com resolução mínima de 720×480 e, preferencialmente, HD 1920×1080.

O Festival tem como missão difundir a linguagem audiovisual na educação, promover a formação e o letramento audiovisual, estimulando a produção autoral e o protagonismo dos estudantes da rede pública de ensino. A mostra do 4ª Fest Curtas será realizada no Cine Brasília, no dias 17 e 18 setembro, dentro da 51ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Para conferir todos os detalhes e o histórico do Fest Curtas, acesse o site oficial do evento.



Em tempos de crise, toda ação pode ser um ato político – Artigo de Thay Limeira

“O papel do artista é refletir seu tempo. Eu escolhi refletir os tempos
e as situações
nas quais eu me encontro, para mim é um dever
e nesse tempo crucial em nossas vidas, quando tudo parece
desesperador, quando todo dia é uma questão de sobrevivência…
Eu acho que é impossível você não se envolver… “
(Nina Simone)

Olho para essa fala da Nina Simone e a percebo tão atual, tem um frescor de uma geração que perpassa seu recado a outra… gerações que parecem se conectar com causas históricas semelhantes, parecem compartilhar as mesmas frustrações políticas, os mesmos desejos de liberdade e justiça, com uma força de erguer o punho cerrado e ir pra luta. Aí me pergunto, em momentos em que a esperança parece nos faltar e a angústia de um tempo incerto aparenta nos sufocar, qual a forma que damos às nossas criações? Até que ponto, transformamos o que criamos em reflexos críticos do que vivemos?

A criação não precisa se limitar a padrões pré-estabelecidos, é fluida em forma e em significados. O processo criativo não se limita ao ser artista, pois qualquer um, meros mortais, tem sua potência criativa no que esculpimos como trabalho. No entanto, creio que o labor que se identifica com a necessidade de colocar pra fora um desejo inquieto vem a se transformar em arte. É por essas lentes que vejo o cinema brotando da criação para a tela, como uma faísca de luz que atravessa o realizador até chegar ao espectador. É poderosa essa relação entre filme e espectador, quando o filme (criação) coloca o espectador diante de um momento, de um tempo, de uma experiência latejante de um corpo projetado na tela, que afeta aquele que o experiência e o compartilha (o público). Nesse processo de ser afetado pela obra, o espectador se desloca no tempo e nas formas de olhar o que está em volta, fazendo-o repensar os variados mundos: os de dentro e os de fora.

Em curtas como Na missão com Kadu (2016), Peripatéticos (2017) e Tentei (2017), não há como negar os incômodos que se reproduzem na vida real. São filmes que expõe conflitos morais e políticos, que denunciam diversas formas de violência e desigualdade. Em Na missão…, Kadu nos conduz por uma câmera na mão a vivenciar um dos maiores conflitos fundiários urbano da América Latina. Como não se sensibilizar com o desespero de Kadu, correndo com uma criança em suas mãos, fugindo de balas e bombas, atacados pela polícia militar? Como não sentir a raiva da injustiça em seu desabafo diante da câmera?

Cena do curta Peripatético. Diração: Jéssica Queiroz

Já em Peripatético, três jovens amigos, moradores da periferia de São Paulo, enfrentam os primeiros desafios da vida adulta: a busca por um emprego, a entrada na faculdade, um futuro em aberto… A luta contra a discriminação social e racial é visível em seus cotidianos, e se agrava quando um conflito armado na periferia que moram leva a morte um dos amigos. Como sair ileso de uma realidade onde jovens inocentes são assassinados, vítimas de uma violência gerada pela desigualdade que o cercam? E o que falar de Tentei, que retrata a tentativa de uma mulher em denunciar o marido por violência doméstica. O medo de se expor, a frieza do agente ao interrogá-la, o desespero de voltar para casa… Como não se questionar sobre essa realidade, mesmo percebendo-a tão próxima?

O cinema engajado em retratar os conflitos do nosso tempo também empodera protagonistas. Nos curtas documentários Toda noite, estarei lá (2017) e Cabelo Bom (2017), a resistência é existir. Em Toda noite, estarei lá, a transexual Mel Rosário, luta contra a intolerância e pelo direito de vivenciar sua fé na igreja, de onde foi expulsa por sua condição de gênero. Já em Cabelo Bom, mulheres negras mostram o empoderamento dos desses corpos políticos pela reafirmação da estética negra. Esses filmes destacam seus papéis políticos em dar a luz a realidades invisibilizadas e violentas, ao mesmo tempo em que libertam gritos calados e os transformam em vozes de (R)Existência.

Toda noite, estarei lá. Direção Thiago: Moulin

Se tratando de produções independentes, autorais e no formato de curta-metragem, como no caso desses filmes, os festivais e mostras de cinema são considerados o ponto de partida na carreira das obras. São espaços que tem esse caráter de lançar, circular e legitimar a carreira dos filmes, acolhendo muitas vezes o primeiro encontro da obra com o público. Além disso, tem a capacidade de reunir um público amplo e diverso em suas dimensões culturais e de mediar as experiências iniciais entre os filmes e os espectadores.

Essas janelas tem um importante papel na formação do público, no que tange à sensibilização crítica por meio da ludicidade do cinema. Mas pergunto, que tipo de experiências os festivais estão proporcionando ao público? Estão comprometidos com a formação crítica de seus espectadores? Será que de fato pensam na sua contribuição política e humana? Essas questões particularmente me inquietam, pois vejo que a responsabilidade desses espaços se aproxima de agentes multiplicadores de conhecimento e informação, para além de dar visibilidade a uma cinematografia que atenda uma expectativa cinéfila. Deixo em aberto essas questões para que se mantenham vivas como uma bússola que norteia as direções no pensar e no fazer cinema.

Considero que precisa-se cada vez mais de janelas, obras e espectadores que tenha a disposição de se envolver com o todo, que exponham coragem de partilhar suas vivências e reflexões de mundo, se colocando sensíveis a olhar o que está por trás da estética e do entretenimento. Em tempos de crise, toda ação pode ser um ato político.

Thay Limeira é pernambucana, produtora cultural e curadora com experiência cineclubista e formação em Antropologia pela Universidade Brasília. Realizou a produção de diversas mostras e festivais de destaque, como o Curta Brasília – Festival Internacional de Curta-Metragem de Brasília, Cinefoot – Festival de Cinema e Futebol e InterAnima – Festival de Animação e Interatividade. Como curadora, integrou a curadoria do Festival Curta Brasília, Festival de Curta-metragem das Escolas Públicas, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e Mostra Canavial de Cinema.


Resultado Festival Online 2018 – Curadoria Popular

É chegada a hora! Foram 30 dias de Festival Online, onde o público pode assistir aos curtas-metragens inscritos no Festaguá 2018 e votar naqueles que mais gostar. Ao todo, foram recebidos 380 filmes, de todo o país, formando um precioso acervo da produção audiovisual de curta-metragem voltada à temática deste ano: “O movimento em nós”.

O Festival Online ficou aberto entre 7 de maio e 7 de junho, com 6.621 votos efetivados. Conforme o regulamento, os quatro curtas mais votados pela curadoria popular irão para a Mostra Competitiva, em agosto, junto com outras 20 produções que serão selecionadas pela curadoria técnica.

Conheça e assista, abaixo, os curtas mais votados no Festival Online e aguarde! Em breve, sai a lista com o resultado final dos 24 filmes que irão concorrer na Mostra Competitiva.

Até provar que não – 391 votos
O corpo que me pertence – 378 votos
A estranha velha que enforcava cachorros – 346 votos
Invisíveis – 252 votos



“A diversidade encurrala as narrativas eurocêntricas hegemônicas e as narrativas negras fazem parte desse movimento global”

Nascido em Nanuque, na fronteira entre Bahia e Minas, Joel Zito Araújo é um importante cineasta e pesquisador negro brasileiro. Professor e premiado realizador audiovisual mineiro, ou baianeiro (como também gosta de ser chamado), dirige filmes sobre questões diaspóricas da pessoa negra no Brasil.

Das suas obras, em 2001, A Negação do Brasil foi premiado como melhor filme no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade (It’s all true) e como melhor roteiro no Festival de Recife; a ficção As Filhas do Vento (2005) recebeu 8 kikitos no Festival de Gramado e o documentário Cinderelas, lobos e um príncipe encantado (2009) recebeu, pela votação do público, prêmios de melhor filme e melhor diretor na 9ª edição do Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe. Seu último filme chama-se Raça (2013), narrativa que desnuda a democracia racial no Brasil.

Foto: Sumaya Lima

 
O cineasta realiza filmes que vão para o embate. Desconstroem imagens do eurocentrismo construídas pela grande mídia sobre a pessoa negra no país e aprofunda em suas histórias. Seu trabalho caminha na afirmação de uma diversidade que enfrenta padrões. Dialogam com um fenômeno social de revolução, viabilidade e visibilidade de outras vozes no cinema e na comunicação no mundo todo.

Joel Zito também é doutor em ciências da comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP e fez pós-doutorado no departamento de rádio, TV e cinema e no departamento de antropologia da University of Texas, em Austin, nos Estados Unidos. Pesquisador ativo, também já publicou os livros A Negação do Brasil – o negro na telenovela brasileira (2001) e O negro na TV pública (2010). Em meio a tantos movimentos desse cineasta, conseguimos uma pequena entrevista com ele para conversarmos um pouco sobre identidade e cinema negro. Confira!

 
Festaguá: Em 13 de maio, completamos 130 anos da Lei Áurea, sem reparações históricas, com abandono e marginalização do povo negro no Brasil. Promover narrativas negras é intervir nesse cenário?

É exatamente isso! Nós só vamos poder superar essas desigualdades a medida em que aqueles que estão sob condições de risco tiverem direitos e construírem suas narrativas, possuírem escolhas e fazerem parte desse momento da história da humanidade, em que são muitos o meios de desabituação de dívidas. Então isso é fundamental. Sem essa possibilidade, você não tem como mudar o cenário de desigualdade.

 
Festaguá: Qual é o papel do audiovisual na afirmação das identidades afro brasileiras?

O audiovisual é centrado na afirmação, na valorização ou na imposição da identidade. Todo audiovisual é assim. Se você pegar como exemplo o cinema de RKO (Radio Pictures) dos anos 50, estavam vendendo lá o modo de vida americano, estavam vendendo os valores dos Estados Unidos, da terra de oportunidades, o tipo de vida da classe média branca norte-americana. Na época, vendiam as geladeiras, os automóveis, a Coca-cola. Vendiam também a estética identitária, em que os bonitinhos eram brancos, de olhos claros. Então o cinema não tem como escapar da valorização de algum tipo de identidade.

A diferença agora é que a gente chegou em um ponto em que aqueles, o Norte, a parte da população que impunha sua identidade e seus valores – de que eles fossem mais humanos, como se os outros fossem não civilizados, distantes de um autopadrão estético de beleza e valores -, estão sendo questionados. Isso mostra o quanto é ideológico esse tipo de visão: tomar o branco, tomar a cultura ocidental como o evento humano e os outros como não humanos. Os outros como humanos atrasados, ou humanos feios.

Então, neste momento, vemos um cinema da diversidade, que reafirma histórias puramente humanas de amor, ódio, angústias, prazeres e alegrias em todos os lugares. Hoje temos um cenário do cinema mundial no qual você verá filmes sobre a história de guerra da Mongólia. Você verá uma série de amor da Coréia ou a história de pai com filho na África… Essa característica de hoje é que contextualiza todo esse momento. A diversidade encurrala as narrativas eurocêntricas hegemônicas e as narrativas negras fazem parte desse movimento global, em que o negro está consciente que ao longo da história ele foi uma peça fundamental da acumulação do capital, do crescimento do ocidente. O negro sabe que, para isso, ele foi transformado em enfeite, animal domesticado, cristianizado, escravizado. Neste momento, temos uma rebelião da afirmação do negro como ser humano e isso é fundamental.


 
Festaguá: Por que a criação e a experiência estética cinematográfica pela e sobre a população negra são indissociáveis de uma ação política?

Se a gente for somente objeto dos outros não teremos possibilidade de mudança, né? Mudança política. Então não estamos só reclamando para que os outros nos incorporem em suas produções, certo? Precisamos também da nossa autonomia para realizar as nossas produções. Nós queremos fazer, não só participar das produções dos outros. A ação política que queremos hoje é por essa capacidade de fazer. Não só de ter um determinado número de atores na Globo. Queremos autonomia de fazer, criar, dirigir os nossos filmes, séries de TV…
 

Festaguá: E como o senhor avalia esses espaços no Brasil?

Estamos conquistando levemente essa democracia. Eu mesmo, por exemplo, sou curador do Festival de Cinema Negro Zózimo Bulbul Brasil, África e Caribe. A cada ano, a cada edição do festival, aumenta exponencialmente o número de inscrições. Neste ano, por exemplo, temos 180 novos estilos de diretores e diretoras negras de curtas, médios e longas. Ano passado, foram de 107. Anteriormente 56. Então, de um ano para o outro dobrou e agora cresceu mais 50%, é um aumento incrível. O que eu observo é que a maior parte dessas produções são feitas com recursos próprios, com pouca ajuda do Estado e de editais. São realizados por crowdfunding, sabe, são meios associativos e autônomos para poderem assegurar isso. Isso ainda é um problema, mas é um problema que não desestimula, pelo contrário. Essa nova geração tem uma garra incrível.
 

Festaguá: O senhor pode falar mais dos desafios do cinema negro no Brasil?

O desafio fundamental que está posto é de ter acesso de forma democrática aos recursos existentes para fazermos cinema e audiovisual no país. É de ter os mesmos direitos, os mesmos acessos, pois essa nova geração e a geração anterior também tem dificuldade de alcançar recursos. Eu. por exemplo. Meu último filme foi lançado em 2012, o Raça. Estou há seis anos sem lançar um filme, considerando que sou um cara super produtivo e bem avaliado, premiado. Todos nós temos essa dificuldade de produção. O racismo institucional e o racismo cultural atrapalham os nossos acessos. Não estou falando de forma poética ou romântica. Ano passado, eu fui do júri de um festival afirmativo e a quantidade de bons roteiros foi grande, nós selecionamos três. Havia uns 12 muito bons, no meio de 70 e tantos, e havia outros que só precisavam trabalhar mais um pouco. Enfim, não estou falando de uma situação hipotética, estou falando que temos bons roteiristas, jovens criativos e diretores negros que precisam de oportunidades para atuarem. Vejo várias produtoras se preocupando com a formação, com a incorporação desses jovens, mas ainda são minoria.

Por Webert da Cruz – jornalista e fotógrafo do Estúdio Gunga

 



Festival Online 2018 – Assista e Vote

Após um mês de inscrições por meio de convocatória nacional, o Festival Taguatinga de Cinema tem a alegria de abrir o período de curadoria popular online para a sua 13ª edição. Recebemos 380 inscrições de curtas-metragens produzidos em todo o país, alinhados ao tema deste ano: O movimento em nós”. Agora, é a sua vez de colaborar com a gente e com os realizadores.

Até o dia 7 de junho, aqui no site, você poderá assistir ao grande acervo de filmes inscritos e votar naqueles que mais gostar. Não tem limite! Você pode assistir e votar quantas vezes quiser, basta realizar um simples cadastro. As quatro produções mais votadas irão participar da Mostra Competitiva em agosto de 2018, no Teatro da Praça de Taguatinga.

Nosso Festival Online é uma oportunidade de disponibilizar ao público um acervo diversificado da produção independente de curtas-metragens no Brasil, além de contar com a participação popular para a construção da Mostra Competitiva, por meio da campanha Assista e Vote!.

Todos os filmes inscritos foram produzidos entre 2016 e 2018, abrangendo diferentes formatos: ficção, documentários, experimentais e de animação. Além das quatro produções mais votadas pelo público no Festival Online, irão para a Mostra Competitiva outros 20 curtas-metragens selecionados pela curadoria técnica oficial do evento.

O tema “O movimento em nós” busca conhecer o modo como realizadoras e realizadores expressam seus pontos de vista sobre a vertigem de retrocesso democrático do Brasil atual, com produções atravessadas pelo desejo de resistir e florescer em um país em estado de golpe, instaurando movimentos e espaços vibrantes entre a tela e o espectador.

Aproveite a oportunidade de assistir a um diverso acervo de curtas-metragens e conhecer mais da produção audiovisual independente do Brasil. ASSISTA E VOTE!

E marque na agenda!!!

A programação da Mostra Competitiva do 13º Festival Taguatinga de Cinema será realizada entre os dias 22 e 25 de agosto de 2018, no Teatro da Praça de Taguatinga e outros espaços da cidade. Além da exibição dos curtas selecionados e a noite de premiação, o evento realizará oficinas, debates, Mostra Paralela e Mostra Infantil.



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