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Tarape TV: Entrevista com os ganhadores do Festival 2018

Em 2018, o Festival Taguatinga de Cinema inovou e criou a Tarape TV, um canal de comunicação onde serão desenvolvidas entrevistas, criações experimentais e programas voltados ao mundo do Cinema Independente. Durante o festival, a Tarape entrou em ação sob a direção do realizador Farid Abdelnour e execução de estudantes de Audiovisual do IFB do Recanto das Emas, realizando a transmissão ao vivo de toda programação, que também está disponível para assistir online através do canal no YouTube.

No primeiro programa da Tarape TV, Luva de Película, apresentado pela atriz e poeta Marina Mara, você confere entrevistas exclusivas com os três ganhadores e as três menções honrosas do 13º Festival Taguatinga de Cinema. Confira!


Melhor Filme Juri Oficinal: Nanã


Melhor Filme Juri Popular: Invisíveis


Inovação e Linguagem pelo Juri Popular: Mudança de Hábito


Menção Honrosa: Maria


Menção Honrosa: Boca de Fogo


Menção Honrosa: Anderson

 

 

 



Premiados – 13º Festival Taguatinga de Cinema

Encerramos o 13º Festival Taguatinga de Cinema com a alegria de um dever cumprido para além do que esperávamos. Foram quatro dias intensos de atividades realizadas entre 22 e 25 de agosto de 2018, no Teatro da Praça de Taguatinga e no Go Inn Hotel, além das festas na Galeria Olho de Águia e no Bar Isso Aqui é DF, na Praça da CNF. Mais de 50 pessoas na equipe e muitos parceiros fizeram tudo acontecer na harmonia e na vontade de ver mais um festival florescer sonhos e criações.

Durante todo o evento, recebemos a presença de realizadoras e realizadores de todo o país, que vieram a Taguatinga representar os filmes selecionados para a Mostra Competitiva e participar do Taguá MAPI – Mercado Audiovisual de Produção Independente, junto com o público. Foram 24 curtas-metragens concorrendo às premiações, filmes produzidos em diferentes formatos e gêneros, com narrativas de resistência e florescimento em tempos de Brasil em estado de golpe, abarcando o tema “O Movimento em Nós”.

Além da Mostra Competitiva, o Festival Taguatinga de Cinema apresentou 13 curtas na Mostra Paralela Cinema Cabuloso, com produções de estudantes da rede pública; cinco curtas na Mostra Paralela Lugar de Fala, abordando questões indígenas, feminismos e negritude; cinco curtas da Mostra Paralela Wift-Brasil, com produções realizadas por mulheres; e mais cinco filmes na Mostra Infantil. Durante a cerimônia de encerramento, foi lançado o filme “A Praga do Cinema Brasileiro”, com Zé do Caixão no elenco. Também tivemos a presença de Zé do Caixão no palco, encarnado através de Pedro Marins, neto de José Mojica Marins, criador do personagem.

No Go Inn Hotel, realizadores e público participaram das atividades formativas do Tagua MAPI através de painéis temáticos, masterclass e laboratório de desenvolvimento de projetos durante os três últimos dias de festival. Fora das telas, tivemos a presença dos DJs do Coletivo Afrobixas, Gerson Deveras, Itin do Brasil e DJ Palito, discotecando os ambientes de festa e celebração. Na noite de encerramento, os shows da cantora Moara e do grupo Saci Weré fecharam a nossa programação no gramado interno do Espaço Cultural do Teatro da Praça.


Transmissão ao vivo – TARAPE TV

Em parceria com o IFB – Recanto das Emas, o festival transmitiu toda a programação ao vivo via streaming. A equipe de filmagem foi formada sob a coordenação de Farid Abdelnour, com a participação de alunos do Curso de Audiovisual do IFB – Recanto, que trabalharam com total entrega e profissionalismo. Novos realizadores que estão nascendo! Os vídeos já estão disponíveis no Youtube, em um canal criado durante essa 13ª edição, batizado de TARAPE TV. Logo em breve, os vídeos também estarão aqui no blog, assim como programas especiais, tendo a participação de apresentadoras como a poeta e atriz Marina Mara, nossa mestra de cerimônia do festival.

Através da transmissão ao vivo, tivemos uma participação especial na Mostra Paralela Wift-Brasil. Reexibimos, com a presença da diretora Rosane Gurgel, o filme Close, participante do 12º Festival (2017), seguido de um bate-papo via streaming com as mulheres GBT internas em uma unidade prisional de Fortaleza e que são protagonistas do filme. Um momento único de fortalecimento do tema abordado e da produção audiovisual feita por mulheres.


Conteúdo

Outra novidade do Festival foi o informativo “O Movimento em Nós”, com entrevistas e artigos construídos durante a pré-produção do Festival, com realizadores e pesquisadores de várias regiões do Brasil. O informativo é uma extensão do que foi publicado no blog e promete seguir em todas as edições do festival em diante, sempre interagindo com a temática de cada ano. Um novo canal de conteúdo também no meio impresso, onde é possível aprofundar sobre os temas que circundam a produção audiovisual independente.

Cada filme, seja na Mostra Competitiva ou nas Mostras Paralelas, atravessou o público, a equipe de produção e os realizadores com provocações sensíveis, que nos colocam a refletir sobre o poder de nossas intervenções nascidas a partir do coração, sobre o fazer incessante do mundo que queremos. Seja em tempos de golpe ou fora dele, o movimento sempre está em nós!

Confira mais fotos de todos os dias de evento em nossa fanpage.


Premiação

Seis produções foram premiadas, sendo uma como Melhor Filme pelo Júri Oficial, uma como Melhor Filme pelo Júri Popular e outra com o Prêmio de Inovação de Linguagem pelo Júri Oficial. Esses três ganhadores receberam premiação em dinheiro e o troféu exclusivo esculpido pelo artista plástico Omar Franco. Também foram entregues troféus para as três menções honrosas escolhidas pelo júri oficial. Confira os ganhadores:

 

 



Selecionados Taguá MAPI – 2018

Começa na quinta-feira, dia 23, a programação do Taguá MAPI – Mercado Audiovisual de Produção Independente. O Taguá MAPI integra a 13ª edição do Festival Taguatinga de Cinema, partindo da base para pensar o desenvolvimento e as estratégias para o mercado audiovisual regional. Todos os participantes viverão três dias intensos de aprendizados e trocas de experiência com realizadoras e realizadores de diferentes regiões do Brasil.


Lista de selecionados

Adriana Bagano De Lima
Alexandre Almeida
Ana Caroline Brito
Anderson Formiga
Antonio Balbino
Cesar Augusto Borges
Daiana Santos Rocha
Érico José Silva
Fernanda Fernandes Muniz
Fernanda Gonçalves Franco
Francisca Gomes Lopes
Gabriel Ferreira Dos Santos
Gláucia Moraes Jeronimo Da Silva
Jailson Dantas Ramalho
Jaime Filho
Jean Felipe Nogueira Gonzaga
Júlia Morim
Juliana Albuquerque
Lucas C. S. Portela
Lucas Rafael Pereira
Luyla – luylavi@gmail.com
Mylena Tiodósio
Nathalya Araujo Brum
Tamires Marinho
Valquiria Alexandre Camara
Wagner Revoredo
Yuri B. Santos



Troféu 2018 – Por Omar Franco

Os troféus do Festival Taguatinga de Cinema são produções exclusivas, criadas pelo renomado artista plástico Omar Franco. Mineiro de Santa Rita de Caldas, Omar mora em Taguatinga desde a década de 70, cidade onde começou seu caminho nas artes, ainda na época da escola. É um dos mais consagrados artistas plásticos contemporâneos do Brasil. São quase 30 anos de uma carreira premiada, com destaque para grandes esculturas em aço, espalhadas por Brasília, pelo Brasil e por mais de 20 países.

Em 2018, Omar Franco preparou um novo conceito de troféu para o 13º Festival Taguatinga de Cinema, fundamentado na DIVERSIDADE. A confecção dos troféus foi feita a partir da ideia de um fotograma recortado em aço carbono bruto, onde o fotograma é uma alusão à clássica tela de cinema.

Nas palavras do artista: “uma homenagem ao cinema analógico, bem como o digital, respeitando as diferenças daqueles que fazem de sua arte uma questão de vida”.

Conheça mais do trabalho de Omar: www.omarfranco.com

Omar em momento de criação



Exibição de lançamento: A Praga do Cinema Brasileiro

Em sua 13ª edição, o Festival Taguatinga de Cinema homenageia Zé do Caixão, célebre personagem criado em 1963, pelo cineasta José Mojica Marins, e que irá reencarnar em Taguatinga no corpo de Pedro Marins, neto de Mojica.

Além dessa aterrorizante participação especial de horror, o Festaguá tem a alegria de lançar o curta de ficção A Praga do Cinema Brasileiro, filmado em 2000 e finalizado em 2018, com atuação de Zé do Caixão e direção de Willian Alves e Zefell Cof.

O lançamento será na Cerimônia de Premiação, no dia 25 de agosto, às 22h, no Teatro da Praça.

Sinopse
Com a pedra da 3ª força, Zé do Caixão retorna ao passado, na virada do milênio, no dia 2 de fevereiro de 2000, com a função de evitar o Terror Político no Brasil, instituído pelo Capetal e seus canalhas capetalistas infiltrados nos setores estratégicos e que arrastaram o país para o 5º dos Infernos com as bençãos dos boizebus, das diabas e dos satanazes dos 3 poderes. Zé do Caixão abre um portal para os infernos do passado, onde liberta antigos filmes sequestrados pelo Capetal, pois estes trazem à luz as palavras dos profetas que tudo viram e que tudo sabiam.

 

 



Homenageado Especial: José Mojica Marins – Zé do Caixão

Foto: Divulgação

José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, é uma figura mitológica viva da cultura brasileira. Aclamado como um ícone do cinema de horror, dirigiu sua primeira produção em curta-metragem, A mágica do mágico, em 1945. Desde lá, seguiu produzindo intensamente, somando mais de 40 filmes trash sob a sua direção e mais de 30 filmes em que participou como ator.

O personagem Zé do Caixão, um sádico agente funerário, foi criado em 1963, baseado na figura de um pesadelo do cineasta, no qual um homem de preto o levava para uma cova. São mais de 55 anos de um personagem que faz parte do imaginário brasileiro e que estourou bilheterias por todo o país.

Foto: Divulgação

Cineasta, ator e roteirista de cinema e televisão, Mojica nasceu em São Paulo, no ano de 1936. Passou uma boa parte da infância dentro de um cinema, onde o pai trabalhava como gerente. Prestigiado em circuitos nacionais e internacionais por sua fértil criação de filmes de terror, também produziu em outros gêneros, como faroestes, dramas, aventura e pornochanchada.

Zé do Caixão desenvolveu um estilo próprio de filmar, sendo considerado como um dos inspiradores do Cinema Marginal no Brasil. Entre seus principais filmes, estão: À meia-noite levarei sua alma (1964), O estranho mundo do Zé do Caixão (1968), Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967) e A encarnação do Demônio (2008).


Zé do Caixão no Festival

E nesta 13ª edição do Festival Taguatinga de Cinema, teremos a presença ilustre de Zé do Caixão, reencarnado em Pedro Marins, neto de José Mojica Marins. Zé do Caixão vem para uma apresentação especial na nossa Noite de Premiação, no dia 25 de agosto, abrindo a exibição do filme A Praga do Cinema Brasileiro,  gravado em Brasília com a sua atuação, no ano 2000.



Homenageado 13ª edição: Entrevista com Ivaldo Cavalcante

Quem pesquisar registros fotográficos da história de Taguatinga ou do cenário político e militante em Brasília com certeza vai chegar nas fotografias de Ivaldo Cavalcante. Também conhecido como Kabeça, apelido que ganhou ainda na juventude da década de 70, Ivaldo é uma das figuras emblemáticas de Taguá, daquelas que não só habitam a cidade, mas fazem dela mais viva, mais pulsante, mostrando para o mundo que a capital do Brasil não é só as asas do avião.

Nascido em Crateús (CE), em 1956, Ivaldo chegou em Taguatinga aos 4 anos de idade. Veio como muitas outras famílias retirantes, em um pau de arara com os pais e mais seis irmãos. Por aqui, foi crescendo e viveu um pouco da dura realidade dos muitos sonhadores que fizeram nascer as cidades satélites do DF. Foi engraxate, vendedor de jornal… se virou como pode. Na juventude, em meio a becos, praças e espaços underground, encontrou e se encantou com a fotografia, arte transformada em profissão, marcando seu nome no fotojornalismo mundial.

O trabalho de Ivaldo voa o mundo, feito águia, enquanto ele firma raízes em Taguá, na cidade que o escolheu. Foto: Sabrina Moura

 
Enquanto Kabeça, foi um caminhante voraz nas noites underground das décadas de 70 e 80. Registrou e registra cenas marcantes do cenário político, dos movimentos de resistência e das desigualdades sociais da capital do país. Seu caminho profissional na fotografia começou em 1980, levando-o a trabalhar para os principais jornais do DF. Ganhou vários prêmios nacionais e internacionais e fez exposições no Brasil e no exterior, nunca deixando Taguatinga como a cidade que escolheu para viver e realizar sonhos.

Parte do seu acervo está registrado em dois livros fotográficos publicados: Taguatinga, duas décadas de cultura (2003), com momentos do movimento cultural que resistiu à ditadura, e Brasília – 25 anos de fotojornalismo (2011), onde seu olhar volta-se aos acontecimentos e desacontecimentos do cenário político da capital. Seu olhar também foi parar nas telas, em minidocumentários produzidos com celular. Em 2014, seu curta O meu nome é Fábio recebeu menção honrosa no Festaguá. Talvez pela proximidade com as redações, em 2000, Ivaldo criou ainda o site Olho de Águia, onde divulga eventos e produções culturais da cidade.

Indo além das páginas, telas e internet, o fotojornalista também cultiva um espaço cultural na Praça da CNF, batizado de Galeria Olho de Águia. Criada em 2002, foi idealizada para abrigar seu acervo fotográfico, tornando-se muito maior. É hoje um local de troca de ideias e experiências, dividindo espaço com o Bar Faixa de Gaza. Num clima rock’n roll, que lembra bem a estética beatnik de Jack Kerouac, a galeria acolhe exposições, mostras de filmes, feiras fotográficas, pocket shows, encontros e prosas entre amigos.

Se o movimento está em nós, Ivaldo é um sopro de realização que levanta o barro vermelho do chão cerratense registrando o presente. Um ser que faz jus a homenagem que prestamos no 13º Festaguá. Confira, abaixo, entrevista com esse célebre taguatinguense de coração!

Ivaldo com o livro “Taguatinga – Duas Décadas de Cultura”. Ao fundo, fotografia de Jimmy Page, amigo e guitarrista do Led Zeppelin, com o livro “Brasília – 25 Anos de Fotojornalismo”. Foto: Sabrina Moura

 
 
Festival: Você nasceu no Ceará e mora em Taguá desde criança. Um legítimo representante das famílias nordestinas que vieram para o centro do país em busca de sonhos. Qual a sua percepção e o seu sentimento sobre essa cidade que te acolheu?
 
Sou ser 100% bairrista! Aqui, em Taguatinga, fui engraxate, vendedor de pirulito e de picolé, vendi jornais nas ruas da Shis–Sul e no centro de Taguatinga. Na minha adolescência, morei e trabalhei no Mercado Sul, na Sorveteria Polar, do meu querido cunhado, onde descobri a serigrafia e montei meu primeiro laboratório fotográfico e oficina. A fotografia foi chegando através de um grande amigo e irmão chamado Aurelino, que me presenteou um kit de laboratório fotográfico.
 
 
Festival: Na sua juventude, você foi envolvido em movimentos sociais, na cena underground e militância? Conta um pouco dessa experiência?
 
Depois que ganhei esse kit de laboratório, passei a fotografar as cenas alternativas de Taguatinga e me doei durante anos fotografando todos os movimentos e tudo que se movia na cidade. Acompanhei grupos de teatro como Grupo Retalhos e Celeiro das Antas e fui testemunha ocular de todos os festivais Rola Pedra e da Faculta, além de fotografar também os cineclubes e eventos no Teatro da Praça. Fiz tudo isso até chegar no fotojornalismo, meu caminho natural neste percurso. Aí é outra história! Houve muitas pedras no caminho, mas chutei todas.
 
 
Festival: Como você chegou no fotojornalismo enquanto profissão?
 
Quando morava no Mercado Sul, no ano de 77, o Willian, da Sarro Disco Show, ficou sabendo que eu estava fazendo um curso de fotografia no Centro de Criatividade, hoje Espaço Cultural Renato Russo, e me pediu pra fotografar as domingueiras que tinha no Clube dos 200. Um dia, vi uma equipe do Jornal de Brasília vindo fotografar umas das domingueira do clube e vi que para eles entrarem bastava só mostrar a credencial do jornal. Daí em diante descobri que queria ser fotojornalista!
 
 
Festival: Há quem diga que a imprensa morreu. Diante das mudanças e avanços nas novas tecnologias, e num comparativo a toda sua experiência nessas quatro décadas na área, como você vê a profissão do fotojornalista nesse cenário cada vez mais digital e efêmero?
 
Trabalhei durante 33 anos em jornais. A imprensa mudou muito e nessa época já havia um grande sensor de todos os jornalistas, os editores sempre usavam as tesouradas nas matérias feitas. Hoje nem se fala! Esse quarto poder apodreceu e esqueceu de cair. O povo brasileiro sempre foi manipulado pelos donos dos grandes jornalecos.
 
 
Festival: Seu livro Taguatinga – Duas décadas de Cultura é um marco para os habitantes e fazedores de cultura de Taguá. Muitos dos lugares e figuras fotografadas ali seguem, até hoje, atuantes e vibrantes na cena cultural da cidade. Taguatinga respira cultura? Que cultura é essa?
 
Hoje fico muito feliz em continuar fotografando essa rapaziada, que hoje estão todos carecas, barrigudos e de cabelos brancos.Tem uma frase do cantor e músico Belchior que gosto: “O novo sempre vem”. Demorou aparecer esse novo, mas hoje eles chegaram e estão em forma de coletivos poéticos, estão na música, na imprensa alternativa e em todas vertentes culturais. Isso em todo o país. A periferia hoje tem mais voz e continuará tendo. Acredito que com essa eleição que se aproxima haverá uma grande mudança.
 

Fotojornalismo e militância registrados em livros. Foto: Sabrina Moura

 
 
Festival: Você acompanhou e registrou grande parte da trajetória política de Brasília e do Brasil, nas últimas quatro décadas, um trabalho nítido no seu livro Brasília – 25 Anos de Fotojornalismo. Muitos dos seus registros permeiam um tempo de ditadura e pós-ditadura. De lá até os dias de hoje, num Brasil em tempos de golpe, como você analisa a situação política do nosso país?
 
Costumo dizer que esse livro é meu gibi, que vai contando histórias através de registros fotográficos de uma Brasília onde, há décadas, jogam a sujeira debaixo do tapete. Fico feliz em ter realizado e editado ele. É uma overdose de imagens sobre a problemática social que sempre foi minha tônica no fotojornalismo. O Brasil hoje está à deriva depois deste golpe. Estamos vendo um país sendo desconstruído pelos políticos sem nenhuma moral ética, uma verdadeira quadrilha que vinha se articulando nos porões da corrupção durante os governo do PT. Hoje, no pós-golpe, há milhares de empresas fechando, milhares de pessoas desempregadas. Os trabalhos informais estão crescendo assustadoramente em todo país.
 
 
Festival: Outro foco do seu olhar de fotojornalista é a vulnerabilidade social dos meninos e meninas de rua. Como é a relação de registrar essa realidade? Você se envolve emocionalmente na história deles?
 
Há três décadas que acompanho essa problemática social, onde fotografo e filmo. Sempre usei a rodoviária de Brasilia e os vários pontos que tem muitos de meninos e meninas de rua como extensão da redação. No fotojornalismo, sempre gostei de temáticas pesadas. Hoje, migrei para os documentários e é muito bom trabalhar com imagens em movimento. Não tem como não se envolver. As riquezas-humanas das ruas são esplêndidas. Esse texto, do Poeta baiano Jorge Amado, dialoga muito com meu trabalho:

“Que outra coisa tenho sido senão um romancista de putas e vagabundos? Se alguma beleza existe no que escrevi provém desses despossuídos, dessas mulheres marcadas com ferro em brasa, os que estão na fímbria da morte, no último escalão do abandono. Na literatura e na vida, sinto-me cada vez mais distante dos líderes e dos heróis, mais perto daqueles que todos os regimes e todas as sociedades desprezam, repelem e condenam.”

 

 
Festival: Sua experiência de registro com os menores de rua culminaram na produção do premiado curta O Meu nome é Fábio, premiado com menção honrosa no Festival Taguatinga de Cinema, em 2014. Depois, em Qual é o seu lugar no mundo?, a temática dos moradores de rua volta às telas a partir do seu olhar. Você já pensava em se aventurar pelo Audiovisual? Como foi esse processo e porque falar deste tema?
 
Quando morava no Mercado Sul, na década de 70, ganhei de um irmão um livro que o Pasquim tinha lançado com todas as linguagens das artes. Eu já havia me enveredado pela serigrafia e um dos tópicos do livro era sobre cinema. Li todas as páginas sobre o assunto, mas era uma época que realizar filmes e só para filhos de banqueiros.Nessa mesma época, lançaram a Revista Iris-Foto, que também tinha duas páginas sobre Super-8. A partir daí, entrei nesse universo e acabei fazendo o roteiro de um doc de ficção chamado “Joana”, sobre uma mina da periferia e seus medos diante do mundo.O doc enfoca do baixo Tagua Wall aos cabarés do centro, tendo Joana como personagem principal.

Quando consegui entrar nos jornais diários, sempre levava uma filmadora VHS na bolsa. Passei a filmar essa problemática social. Acho ‘du-carai’ a democratização desse universo digital. O doc O meu nome é Fábio foi feito com um celular. Vida longa a todos esses aplicativos.
 
 
Festival: Há anos você vem cultivando a Galeria Olho de Águia, que hoje é um reduto cultural da cidade e da Praça da CNF, cheia de histórias e parceiros. Qual a inspiração e os objetivos para a criação da Galeria e quais projetos estão em andamento no momento?
 
Pois é… Taguatinga sempre foi a vanguarda das satélites. Tínhamos o Butiquim Blues, do Marcinho, que depois veio a ser da Lazinha, o Teatro de Bolso Rola Pedra o Teatro da Praça, que ainda está em atividades. Então eu tinha que realizar algo a altura desses espaços. A Galeria é hoje um incubadora, uma trincheira de resistência cultural! Por lá rola muito da cena produzida nas satélites, como palestras sobre gestão cultural, coletivos e saraus poéticos, mesa-redonda sobre música autoral, performances, debates políticos, etc. A Galeria é hoje minha caverna do século XXl. Temos quatro projetos independentes em funcionamento: Cineclube Praça do Relógio, Biblioteca Gervásio Baptista, Voz e Violão para Músicos Autorais e Artista do Bairro. A cada 15 dias rola também abertura de exposições.
 

Bar Faixa de Gaza e Galeria Olho de Águia, dois espaços em um, congregando arte e encontros. Foto: Sabrina Moura

 
 
Festival: Em 2012, você realizou o projeto Imagem Sem Fronteiras, trazendo para Taguatinga exposições e fotojornalistas de várias partes do mundo. Ao mesmo tempo, suas fotos já foram expostas e premiadas internacionalmente. A imagem é realmente sem fronteiras? O que a fotografia representa na sua vida?
 
O Projeto imagens Sem Fronteiras é único na galeria realizado com financiamento, nesse caso, do Fundo de Apoio à Cultura do DF. Realizamos em 2012 e fomos aprovados também em 2016, deixando para realizar agora, em 2018. O projeto iniciará agora em setembro e vai até novembro. De confirmados, teremos Pep Bonet, da Agência Noor, e o espanhol Ricardo Garcia Villa Nova. São sem dúvida nenhuma um dos melhores deste século.

A fotografia é sim sem fronteiras e também liberta como todas as artes. Para mim, ela representa o cotidiano. A fotografia é a reflexão do mundo.

 

Por Keyane Dias – jornalista cultural, poeta, terapeuta
e co-criadora da
Pareia Comunicação e Cultural

 



Homenageada 13ª edição: Entrevista com Marília Abreu

Marília Abreu é uma mulher de referência na cena artística local. É atriz, palhaça, gestora e produtora cultural, militante, professora, mãe e empreendedora social. Nascida e crescida no Plano Piloto, há anos escolheu a cidade de Samambaia para viver, fazer arte e ser mãe. Lá, co-criou o Imaginário Cultural, espaço de florescimento e resistência, onde são desenvolvidas diversas atividades na quadra 103.

Em conjunto a outras dezenas de agentes culturais, Marília participa ativamente das ações em prol da construção do Complexo Cultural de Samambaia e da produção do Sarau Complexo, realizado mensalmente em vários pontos da cidade, agregando diferentes manifestações artísticas que florescem por lá.

Como produtora, recentemente executou o Brasília Junina, um mega evento que impulsionou o trabalho do Imaginário e inovou no âmbito de Competições de Quadrilhas Juninas, priorizando a visão do público e atendendo aos quadrilheiros de forma mais afetiva.

Em meio a todas essas frentes, Marília Abreu ainda encontra tempo para atuar ao lado de sua filha, Maria Clara, na Cia Roupa de Ensaio. Em 2018, lançou o espetáculo Dona Dinha, obra inspirada nas mulheres do interior de Goiás – religiosas, benzedeiras, mães, avós e bisavós. A sabedoria feminina foi representada através de músicas, histórias, causos e lendas goianas. Em 2017, atuou também no projeto de pesquisa A Chegada do Mamulengo no Reino do Cavalo Marinho, criado pelo amigo Chico Simões.

Confira, na entrevista abaixo, um pouco do fantástico mundo dessa mulher cheia de histórias, que cria e recria o movimento em nós com afetos e criatividade!

Ao lado da filha Maria Clara, no espetáculo Dona Dinha – 2018. Foto: Lucas Viana

 
Festival: Marília, você nasceu e cresceu no Plano Piloto, mas em um determinado momento as coisas mudaram e Samambaia se tornou seu lar e espaço de criação. Foi Samambaia que te escolheu ou você que escolheu Samambaia?
 
Na verdade, acho que as duas coisas. Conheci Samambaia em 1999, através da minha amiga Verônica Moreno, ela também é atriz e tinha um amor incondicional pela cidade. Eu, na verdade, ainda tinha aquela visão preconceituosa de quem morava no Plano Piloto, via tudo como uma invasão, muita doação de lote e um crescimento desordenado que traria prejuízo ao Distrito Federal. Eu não conhecia Samambaia até a Verônica me convidar para ir na casa dela e ver a Via Sacra e o Movimento Junino na cidade. Quando eu vim, já não era uma menina só Plano Piloto e já tinha muitos amigos de todos os lugares. Logo, tive muita simpatia, mesmo a cidade ainda estando bem no início, era 1999.

Em 2001, conheci meu ex-companheiro, que também era de Samambaia, e fizemos um “contrato” de experimentar morar aqui e no Plano. Tanto eu quanto ele tínhamos uma atuação de comunidade. Antes mesmo de chegar aqui eu já comecei a me engajar. Em 2008, nesse teste, acabei decidindo ficar com o desejo de constituir um lugar… A Via Sacra era um projeto muito apaixonante que participei e dele nasceram muitos artistas, principalmente das artes cênicas… Viemos com “mala, cuia, menino, papagaio, boneco, empanada e figurino.” Na verdade, não sei se foi a cidade que me escolheu ou eu que escolhi. Sinto que foi o movimento da vida mesmo. Eu vim inteira, queria morar aqui, trabalhar aqui e ver minha filha estudando aqui.
 
 
Festival: Hoje, você coordena o espaço Imaginário Cultural, que é uma referência para o movimento cultural de Samambaia e do Distrito Federal. Como tudo começou?
 
Em 2011, a gente inaugurou o Imaginário. Sempre tivemos vontade de ter um espaço para ensaio e em Samambaia não existia nenhum equipamento público de cultura… Tínhamos vontade de realizar isso para ajudar a movimentar o cenário cultural, apesar de Samambaia já ter um movimento efervescente em diversas linguagens. Pensávamos em formação de público, tudo com foco no teatro. Não tínhamos a dimensão do que o Imaginário seria hoje. Empreendemos de forma intuitiva, pensando em ofertar aulas para a comunidade, formar público e conectar os colegas de profissão para trazer espetáculos para a cidade. Intuitivamente, criamos uma rede através dos contatos com artistas e produtores que já conhecíamos e levamos novos espetáculos para Samambaia.

Espaço Imaginágio Cultura, na Quadra 103 da Samambaia Sul. Foto: Sabrina Moura

 
 
Festival: O Complexo Cultural está prestes a ser uma realidade em Samambaia, cidade que, cada vez mais, se fortalece culturalmente. É forte a articulação dos artistas na cidade? Existe uma cultura bairrista?
 
O movimento cultural de Samambaia conseguiu se articular muito bem e isso é devido a atuação de alguns agentes. Sabe quando você tá no lugar certo com as pessoas certas? Mas eu acho também que a cidade tem essa identidade, porque os os artistas daqui acabaram sendo bairristas mesmo, vendo a cidade como uma referência cultural potente no DF. E a gente conseguiu agregar várias linguagens. O projeto do Complexo Cultural e o Sarau Complexo está criando uma identidade cultural na cidade.
 
 
Festival: Qual a contribuição do Imaginário e da Marília no desenvolvimento cultural de Samamba?
 
Era uma coisa que a gente acreditava e ajudou a concretizar. E ajudamos ainda, tanto que fomos por bastante tempo líderes e fazedores (eu e Miguel). Cansei de fazer cachorro quente e galinhada em casa para levar para as reuniões, saraus e acampamentos. A gente se dispõe efetivamente para a realização, porque acreditamos que primeiro é possível e segundo é necessário.
 
 
Festival: E Roupa de Ensaio… Como o grupo se integra à sua vida? Você já participava quando foi morar em Samambaia?
 
O Roupa de Ensaio nasceu de um convite do Ivan Chagas (diretor de teatro) e do Alexandre Neco (músico) para a gente montar um espetáculo que se chamava A vida é uma ópera. Foram vindo outras pessoas, inclusive a Verônica. Foi quando a gente se conheceu e conheci a Samambaia. Era um grupo de experimentação e pesquisa, fazíamos teatro de rua e espetáculo de teatro de bonecos. O nome foi criado depois que já existíamos como grupo, “Roupa de Ensaio”, fazendo referência ao rala da atuação.

Marília no espetáculo “A Chegada do Mamulengo no Reino do Cavalo Marinho” – 2017. Foto: Davi Mello

 
 
Festival: E como chegou a profissão de atriz?
 
Desde os sete anos. Sempre fui muito apaixonada por teatro, aquela coisa em escola, igreja, acho que todo mundo começa por aí. Na adolescência, eu sabia que aquilo estaria sempre na minha vida. O que me encanta em atuar é a possibilidade de viver outras vidas, os desafios da interpretação, isso de conhecer, construir e viver uma personagem que tem muito de você, mas não é você. Gosto do estudo mesmo, de aprofundar no estudo da personalidade, do psicológico emocional.
 
 
Festival: O que te fez fazer essa curva para a Educação Física e seguir a carreira de professora da rede pública?
 
Não me adaptei ao curso de Artes Cênicas na UnB. O ambiente do curso me fez não querer ficar. Sou geminiana e acho que, por isso, fiz uma curva e fui para a Educação Física. Eu era muito apaixonada pela natação e tinha um sonho em trabalhar com o público de alunos especiais. Como a Educação Artística não tinha um viés educacional para esse público, eu vi na Educação Física a possibilidade. Hoje, estar no Imaginário e ser atriz me preenche muito mais, mas eu escolho estar em sala de aula também, porque eu acho que consigo estabelecer uma outra relação com os estudantes. Agora, atendo jovens e adultos. Por meio das conversas, e não propriamente das aulas, eu consigo abrir uma perspectiva para esse público que, muitas vezes, vem de uma desestrutura. A aula, para mim, é o que menos importa, o que importa é a valorização do ser humano.

“Eu me coloco a serviço das pessoas, dos artistas, dos coletivos, dos estudantes e de quem quer que seja para esse encantamento com a arte transformadora.”

 
 
Festival: Como é para você gerenciar tantos fazeres enquanto mulher?
 
Eu tenho uma vida quádrupla, quíntupla… Hoje, sou atriz, gestora de um espaço cultural, professora, produtora cultural, militante cultural e faço parte do Conselho de Cultura. Como produtora, eu me sinto na obrigação de dar suporte aqueles que me procuram para tirar dúvidas sobre projetos. Na vida pessoal, também sinto essas múltiplas funções, porque sou mãe e, como muitas, assumo uma casa e uma família. É tanta coisa! Mas eu tenho isso na cabeça: “Não sou só eu.” Acho que nunca acontece um equilíbrio. Muitas vezes, deixo coisas para depois para poder terminar um projeto ou fazer uma reunião e a família sempre sofre com isso, tanto a gente como a família. A gente se cobra mas deixa rolar.. É sempre isso: me cobro, mas deixo rolar.
 
 
Festival: Qual a sua visão para o futuro?
 
A gente tem que empregar sentido no agora sem esquecer que existe um pra frente. O meu foco não tá lá na frente, ele tá aqui. Hoje, eu sinto falta de estar atuando mais como atriz. Uma das coisas que eu quero fazer e pretendo cada vez mais fazer é esse meu trabalho com Maria Clara, o espetáculo Dona Dinha.
 
 
Festival: Como nasceu o espetáculo?
 
A Dona Dinha é um desejo meu desde muito tempo, que nasceu de uma provocação do Chico Simões em uma brincadeira lá em Olhos D’água (GO). Eu sempre tive muita facilidade com o sotaque de Goiás, porque minha família tem muito parente em Goiás e uma amiga já tinha dito pra mim: “a sua essência como personagem é goiana”. Aquilo ficou na minha cabeça. Dona Dinha foi nascendo dessas conversas. É um projeto que está pulsante e quero mostrar para o Mundo, eu e minha filha, a Maria Clara. A gente já fez um trabalho juntas de palhaças que também quero retomar, com as personagens Biloca e Tampinha.
 
 
Festival: Maria Clara sempre esteve envolvida no seu fazer artístico. Como é a relação de mãe e filha em contraste com companheiras de cena?
 
A Maria Clara em teatro é muito disciplinada. Eu sempre fui muito disciplinada também, mas hoje em dia eu administrando várias frentes e acabo me indisciplinado um pouco. É muito bom ter elas como companheira de cena, a gente consegue dividir bem os papéis. Eu levo mais bronca do que dou (risos).

 
Festival: Quais suas referências femininas na cultura e na vida?
 
A Verônica sempre foi uma pessoa admirável, por toda a realidade de vida e pela conduta dela com tudo. Ela tem uma bondade absoluta, uma generosidade absoluta, é uma das pessoas mais admiráveis que conheci. Minha mãe, obviamente, também é. Minha mãe nunca me tolheu, nunca limitou minha atuação, sempre me incentivou e nunca roubou minha identidade. É uma pessoa admirável pela sua fortaleza, honestidade, pela sua bravura. Ela separou do meu pai quando eu tinha um ano, quer dizer, uma mulher separada naquele período, nos anos 70, criando cinco filhos sozinha, era uma mulher sensacional. Admiro muita gente na cultura. Tem a Narcha, minha amiga, colega de faculdade e atriz, uma pessoa de muita criatividade. Outra pessoa que inspira muito é a mãe do Miguel, meu-ex companheiro, a Dona Luza, que com toda simplicidade e condição de vida é de uma sabedoria muito profunda… E as mulheres da minha família de maneira geral. Falo isso na Dona Dinha, inclusive.
 
 
Festival: Como foi a experiência com o Brasília Junina?
 
O Brasília Junina, tanto pra mim quanto para o Imaginário, foi um salto absurdo. Fizemos a gestão de um recurso que nunca tivemos nas mãos e executamos um projeto grandioso em várias cidades. Pensamos muito no evento para o público e os quadrilheiros, levamos muita inovação, principalmente na arena, em vez de palco. Focamos muito sobre para quem é feito o evento: uma praça de alimentação mais aconchegante e com apresentações. Buscamos levar o acolhimento que o Imaginário realiza. No fim, recebemos muitos elogios e agradecimentos. Conseguir realizar um projeto desse de uma forma tranquila e com a responsabilidade que foi feita é a sensação de assinar o atestado de capacidade para enfrentar qualquer coisa que vier.
 
 
Festival: Este ano, o tema do festival Taguatinga de Cinema é “O movimento em nós”. Como você vê o florescer do imaginário nesse cenário?
 
Nesse momento, estamos na expectativa do que virá. Tememos pelo cenário político cercado de incertezas, mas seguimos firmes. É claro que onde há ação há florescência. Se existe ação, o florescer é certo. Mesmo que seja mais tímido, não deixa de atingir os objetivos. Dependendo do que virá, precisamos estar cada vez mais unidos e conectados com propósitos comuns entre artistas. Na arte, só pela coletividade se vence.
 

Por Raissa Miah – jornalista no Estúdio Gunga e Artista Urbana

 



Programação – 13º Festival Taguatinga de Cinema

Está confirmada a programação completa do 13º Festival Taguatinga de Cinema, que acontece entre os dias 22 e 25 de agosto, no Teatro da Praça de Taguatinga. Entre as atrações, além da Mostra Competitiva, o festival contará com a Mostrinha Infantil, a Mostra de Trailers Indie Games e a Mostra Paralela Wift-Brasil, com filmes realizados por mulheres.

As atividades formativas do Taguá MAPI – Mercado Audiovisual Independente, realizadas no Go Inn Hotel, incluem oficinas, painéis temáticos e laboratório de projetos. Já as atrações musicais permeiam as noites de todo o festival, desde a abertura até o encerramento, com apresentações na Praça da CNF e no Teatro da Praça.

Quer conferir a programação completa? ACESSA AQUI!

Confira, no vídeo abaixo, como foi em 2017 e agende-se! Este ano, tem muito mais!

 



Programação Taguá MAPI – Mercado Audiovisual de Produção Independente

O Festival Taguatinga de Cinema apresenta, em 2018, a 2ª edição do Taguá MAPI – Mercado Audiovisual de Produção Independente. De 23 a 25 de agosto, no Go Inn Hotel, Setor Hoteleiro de Taguatinga. As inscrições estão abertas!

Configurado como um espaço de experimentação e formação, o evento, paralelo à Mostra Competitiva, parte da base para pensar o desenvolvimento e as estratégias para o mercado audiovisual regional.

Ao conectar suas atividades ao tema deste ano, O Movimento em Nós, o Taguá MAPI lança o olhar sobre as produções que estão intervindo criativamente em suas realidades, buscando responder ao espírito antidemocrático, obscurantista e de intolerância que, depois de muito tempo, volta à tona em nosso país.

Alice Lanari. Taguá MAPI 2017 – Foto: Paula Carrubba

 

Durante todas as manhãs, serão realizados Laboratórios de Desenvolvimento de Projetos, onde 20 participantes previamente selecionados para o Festival farão em mergulho nesta etapa fundamental do fazer cinematográfico, sob facilitação da cineasta Alice Lanari. São apenas 20 vagas, inscrições abertas!

No período da tarde, painéis temáticos com realizadores e articuladores irão propor a reflexão contemporânea sobre o cinema, com duas rodas de diálogo. A primeira tem como tema Distribuição: perspectivas de guerrilha, mediada por Antônio Balbino (DF), Emílio Domingos (RJ) e Larissa Fulana de Tal (BA). A segunda roda aborda Cinema de Intervenção: um olhar ativo sobre a realidade, mediada por Amaranta Cézar (BA), Elen Linch (AM) e Thay Limeira (DF).

No último dia de Taguá MAPI, 25 de agosto, será realizada a masterclasse A experimentação da imagem como espaço de insurgência, com Yasmin Thayná, cineasta e diretora carioca formada pela Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu.

CONFIRA AQUI a programação completa e conheça cada facilitador(a).

Taguá MAPI 2017 – Foto: Paula Carruba



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