{"id":2475,"date":"2020-06-05T08:34:52","date_gmt":"2020-06-05T11:34:52","guid":{"rendered":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/?p=2475"},"modified":"2020-06-09T21:07:29","modified_gmt":"2020-06-10T00:07:29","slug":"o-jirau-da-hydro-cinema-de-guerrilha-e-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/o-jirau-da-hydro-cinema-de-guerrilha-e-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"O Jirau da Hydro | Cinema de Guerrilha e Meio Ambiente"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O diretor paraense de cinema M\u00e1rcio Crux participa da Mostra Convida 2020 com o seu curta-metragem <em>O Jirau da Hydro<\/em><\/strong><strong>, um dos vencedores do Festival Taguatinga de Cinema 2019. Neste artigo que publicamos em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente (05\/06), ele descreve o processo urgente de produ\u00e7\u00e3o do filme, o impulso da equipe para realiz\u00e1-lo e nos conta a sua experi\u00eancia pessoal durante a 14a. edi\u00e7\u00e3o do FesTagu\u00e1.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><br><em>&#8220;N\u00e3o creio no cinema pr\u00e9-concebido. N\u00e3o creio no cinema para a posteridade. A natureza social do cinema demanda uma maior responsabilidade por parte do cineasta. \u00c9 urg\u00eancia do Terceiro Mundo. Essa impaci\u00eancia criadora do artista produzir\u00e1 a arte dessa \u00e9poca, a arte da vida de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mundial&#8221;.&nbsp; <\/em>Santiago Alvarez, cineasta cubano<\/p>\n\n\n\n<p>O Jirau da Hydro \u00e9 um document\u00e1rio de curta-metragem produzido na cidade de Barcarena, no estado do Par\u00e1 durante protestos da comunidade local contra os vazamentos de rejeitos de bauxita na regi\u00e3o pela mineradora dinamarquesa Hydro Alunorte. Quando n\u00f3s da equipe tomamos conhecimento da realiza\u00e7\u00e3o do protesto, al\u00e9m da urg\u00eancia social e pol\u00edtica de participar da manifesta\u00e7\u00e3o, tanto em fun\u00e7\u00e3o das nossas convic\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas e de solidariedade \u00e0 causa, tamb\u00e9m percebemos ali a pot\u00eancia f\u00edlmica e a necessidade de documentar o protesto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"598\" height=\"599\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Captura-de-Tela-2020-06-04-a\u0300s-15.44.49.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2478\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Captura-de-Tela-2020-06-04-a\u0300s-15.44.49.png 598w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Captura-de-Tela-2020-06-04-a\u0300s-15.44.49-300x300.png 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Captura-de-Tela-2020-06-04-a\u0300s-15.44.49-150x150.png 150w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Captura-de-Tela-2020-06-04-a\u0300s-15.44.49-260x260.png 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><figcaption>Planta da mineradora dinamarquesa Hydro Alunorte em Barcarena (PA)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O filme foi produzido em praticamente cinco dias, sendo dois de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, um de grava\u00e7\u00e3o e mais tr\u00eas dias de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, duas c\u00e2meras e um som direto, tudo no calor do momento. N\u00e3o poder\u00edamos esperar para lan\u00e7ar um filme depois de um m\u00eas ou pensar em submet\u00ea-lo a burocracia de editais para transform\u00e1-lo em algo para o qual ele n\u00e3o foi concebido. N\u00e3o existiu um roteiro do que \u00edamos fazer. A ideia era conversar, conhecer as pessoas, suas ang\u00fastias, registrar o que fosse poss\u00edvel e voltar para a ilha de edi\u00e7\u00e3o e nos debru\u00e7armos sobre o material que t\u00ednhamos coletado. A\u00ed, sim, dar\u00edamos in\u00edcio a uma vis\u00e3o mais po\u00e9tica, mas, ao mesmo tempo, crua, dos acontecimentos. Em O Jirau da Hydro, o assunto principal \u00e9 a revolta daquelas pessoas que residem em Barcarena e sofrem h\u00e1 muito tempo em uma luta completamente desigual. E uma revolta n\u00e3o se planeja, ela urge.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 justamente nessa urg\u00eancia que est\u00e1 a din\u00e2mica do filme: ele \u00e9 curto, direto naquilo que se prop\u00f5e, tem lado e posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 uma responsabilidade social que ele seja assim, porque a luta daquelas pessoas n\u00e3o \u00e9 para ser romantizada em longos planos contemplativos ou demonstrar interesse pelo lado dos poderosos que sempre est\u00e3o na m\u00eddia declarando sua inoc\u00eancia. A beleza ali tem cor de barro, barro com bauxita. \u00c9 um Cinema de Guerrilha e Cinema Urgente feito na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, depois de mais de um ano de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 que decidimos inscrev\u00ea-lo em festivais. E assim que fui para Taguatinga, com o intuito de participar de um festival de cinema, conhecer pessoas novas e suas formas de fazer audiovisual nos seus locais de atua\u00e7\u00e3o. Chego l\u00e1 e encontro uma produ\u00e7\u00e3o acolhedora, com pessoas maravilhosas, prestativas e atenciosas e encontro realizadores e militantes da cultura que transformaram essa experi\u00eancia na capital em algo que guardarei para sempre. Todos ali retratavam em seus filmes algum dilema que precisava ser contornado, seja pessoal ou social, e eles encontraram no audiovisual e no cinema essa v\u00e1lvula para se expressar. Mas al\u00e9m disso, encontrei pessoas afetuosas e carinhosas, dispostas a ouvir e ajudar, pessoas que est\u00e3o neste mesmo barco, \u00e0 esquerda de tudo o que vem acontecendo no pa\u00eds. Artistas de alto valor que usam o audiovisual, o teatro, a poesia e o corpo para se manifestar em um mundo t\u00e3o perverso e hostil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/MA\u0301RCIO-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2354\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/MA\u0301RCIO-683x1024.jpg 683w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/MA\u0301RCIO-200x300.jpg 200w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/MA\u0301RCIO-768x1152.jpg 768w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/MA\u0301RCIO.jpg 1287w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption>O diretor M\u00e1rcio Crux, premiado por O Jirau da Hydro, na 14a. edi\u00e7\u00e3o do FesTagu\u00e1<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Jirau da Hydro voltou de Taguatinga premiado pelo j\u00fari do festival, e a equipe do filme ficou feliz demais. Mas, particularmente, mesmo que o pr\u00eamio n\u00e3o viesse &#8211; pois haviam filmes incr\u00edveis ali e n\u00e3o seria injusti\u00e7a nenhuma que qualquer um ganhasse- , eu voltaria realizado por toda a troca que ocorreu durante o Festival. A urg\u00eancia em fazer um filme ou a inquieta\u00e7\u00e3o para produzir e resistir com um festival s\u00e3o demandas extremamente necess\u00e1rias nesses tempos cru\u00e9is em que vivermos. Que nunca se apaguem as chamas da inquietude e da urg\u00eancia. Daqui de Bel\u00e9m at\u00e9 Bras\u00edlia, um grande salve!<\/p>\n\n\n\n<p>Assista aqui a O Jirau da Hydro: <a href=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/festivalTagua\/15\/assista\/mostra\/paralela\/filme\/40\/1399\">https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/festivalTagua\/15\/assista\/mostra\/paralela\/filme\/40\/1399<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diretor paraense de cinema M\u00e1rcio Crux participa da Mostra Convida 2020 com o seu curta-metragem O Jirau da Hydro, um dos vencedores do Festival Taguatinga de Cinema 2019. Neste artigo que publicamos em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente (05\/06), ele descreve o processo urgente de produ\u00e7\u00e3o do filme, o impulso da equipe [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":2481,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-2475","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2475"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2475\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2494,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2475\/revisions\/2494"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2481"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}