{"id":2419,"date":"2020-04-07T11:34:25","date_gmt":"2020-04-07T14:34:25","guid":{"rendered":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/?p=2419"},"modified":"2020-04-08T22:32:55","modified_gmt":"2020-04-09T01:32:55","slug":"corpos-e-filmes-que-fazem-a-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/corpos-e-filmes-que-fazem-a-diferenca\/","title":{"rendered":"Corpos e filmes que fazem a diferen\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Nina Rodrigues<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria do Festival Taguatinga de CInema est\u00e1 intrinsecamente ligada aos corpos que vibram na contram\u00e3o do panorama de idealiza\u00e7\u00e3o da sociedade de consumo, desafiando tabus e o culto \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o. Em sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, esses corpos comunicam o &#8220;novo&#8221;. Ao assumirem-se como diferentes, fazem toda a diferen\u00e7a nesta realidade assombrada pelo fascismo recrudescente, atuando como for\u00e7as de transforma\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Captura-de-Tela-2020-04-08-a\u0300s-11.57.17.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2430\" width=\"594\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Captura-de-Tela-2020-04-08-a\u0300s-11.57.17.png 494w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Captura-de-Tela-2020-04-08-a\u0300s-11.57.17-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><figcaption>Close, curta-metragem de Rosane Gurgel<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ano ap\u00f3s ano, n\u00f3s acolhemos, por voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, filmes protagonizados por esses corpos transgressores que s\u00e3o centrais nas lutas de emancipa\u00e7\u00e3o e na inven\u00e7\u00e3o de novas formas de resistir e enfrentar os desmandos e as viol\u00eancias estruturais deste Brasil em estado de exce\u00e7\u00e3o. S\u00e3o corpos que se apropriam das imagens de si e das narrativas cinematogr\u00e1ficas contra-hegem\u00f4nicas para anunciar um novo tempo. Corpos artistas, como no dizer da pesquisadora da USP Christine Greiner; corpos trans, homo e bissexuais,\u00a0corpos n\u00e3o bin\u00e1rios, negros, ind\u00edgenas, corpos de pessoas com defici\u00eancia, corpos feministas. Ao insurgirem-se contra a ordem estabelecida e as rela\u00e7\u00f5es de poder que limitam o seu campo de a\u00e7\u00e3o, esses corpos ditos perif\u00e9ricos escancaram a l\u00f3gica e as estrat\u00e9gias perversas do capitalismo e fazem avan\u00e7ar as lutas por direitos e reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles povoam filmes como Maria, de Ellen Linth e Riane Nascimento, e Close, de Rosane Gurgel, nos quais relatam suas experi\u00eancias cotidianas de persegui\u00e7\u00e3o, silenciamento, agress\u00e3o e invisibiliza\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que celebram conquistas e vit\u00f3rias pessoais. Os\u00a0 filmes que eles  protagonizam emanam sua vivacidade e energia criativa; nos fazem lembrar o autoamor como inst\u00e2ncia fundamental do ser, sem o qual \u00e9 imposs\u00edvel amar verdadeiramente o outro. Esses indiv\u00edduos e coletivos atuam na rota dos afetos e estendem sua pot\u00eancia t\u00e3o longe quanto podem, produzindo humanidade, respondendo criativamente \u00e0 viol\u00eancia dos esp\u00edritos antidemocr\u00e1ticos e obscurantistas do nosso tempo, buscando sa\u00eddas, solu\u00e7\u00f5es, desvios po\u00e9ticos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os filmes que acolhem esses corpos e a eles oferecem lugar de destaque s\u00e3o capazes de mover sensibilidades na dire\u00e7\u00e3o de ideais \u00e9ticos e inclusivos, na rejei\u00e7\u00e3o de preconceitos, no engajamento pol\u00edtico e social e na busca de alternativas para outro pa\u00eds poss\u00edvel. Assumem, eles pr\u00f3prios, em co-autoria com os corpos que os habitam, a miss\u00e3o de incitar mudan\u00e7as e suscitar inquietudes sobre as fontes geradoras do conhecimento em nosso pa\u00eds, principalmente aquele conhecimento ligado \u00e0s t\u00e9cnicas de controle e exterm\u00ednio. Desse modo, oferecem ferramentas ao ciclo de lutas em curso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, diante do fascismo que corr\u00f3i direitos arduamente conquistados e se p\u00f5e ainda mais hist\u00e9rico por causa da pandemia do coronav\u00edrus, que ataca de modo incessante o meio ambiente, que provoca o aumento do feminic\u00eddio e incentiva a\u00e7\u00f5es policiais genocidas, principalmente contra as popula\u00e7\u00f5es negras e ind\u00edgenas, queremos oferecer, uma vez mais, em nome da dignidade humana, uma janela de exibi\u00e7\u00e3o para aquela produ\u00e7\u00e3o de curta-metragem nacional que \u00e9 apoio para a diversidade de experi\u00eancias, para as quest\u00f5es de ra\u00e7a e g\u00eanero, de representa\u00e7\u00e3o e representatividade, para os direitos humanos e os direitos da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos na for\u00e7a do encontro entre o p\u00fablico e filmes dessa natureza, no seu dom de nos fazer voar e cruzar abismos. Mesmo agora, quando a pandemia do coronav\u00edrus promove o nosso distanciamento f\u00edsico, gerando mudan\u00e7as e incertezas, o Festival Taguatinga de Cinema, honrando a miss\u00e3o que d\u00e1 sentido \u00e0 sua exist\u00eancia, preservar\u00e1 o liame afetivo entre p\u00fablico e o &#8220;cinema dos corpos art\u00edsticos&#8221;, tomando-os pela m\u00e3o, ainda que apenas virtualmente e energeticamente, para que este ciclo virtuoso se mantenha e prospere, aconte\u00e7a o que acontecer. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">* <em>Nina Rodrigues integra a Comiss\u00e3o Permanente de Curadoria do Festival Taguatinga de Cinema<\/em><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nina Rodrigues A trajet\u00f3ria do Festival Taguatinga de CInema est\u00e1 intrinsecamente ligada aos corpos que vibram na contram\u00e3o do panorama de idealiza\u00e7\u00e3o da sociedade de consumo, desafiando tabus e o culto \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o. 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