{"id":2297,"date":"2019-09-17T23:28:20","date_gmt":"2019-09-18T02:28:20","guid":{"rendered":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/?p=2297"},"modified":"2019-09-17T23:43:26","modified_gmt":"2019-09-18T02:43:26","slug":"o-ensino-do-cinema-nas-universidades-publicas-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/o-ensino-do-cinema-nas-universidades-publicas-do-brasil\/","title":{"rendered":"O ensino do cinema nas universidades p\u00fablicas do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 4 de outubro, a cineasta \u00c9rika Bauer, uma das homenageadas do Festival Taguatinga de Cinema de 2019, participa de um debate promovido por n\u00f3s, em parceria com IFB do Recanto das Emas, sobre o ensino do cinema nas universidades p\u00fablicas. Nesta entrevista, \u00c9rika, que \u00e9 tamb\u00e9m professora de Roteiro e Hist\u00f3ria do Cinema da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social da UnB, tra\u00e7a um breve painel sobre o assunto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/e\u0301rika-unb.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2303\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/e\u0301rika-unb.jpg 960w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/e\u0301rika-unb-300x225.jpg 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/e\u0301rika-unb-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 o panorama do ensino do cinema nas universidades p\u00fablicas brasileiras?\u00a0<\/strong>Se eu fosse responder a esta pergunta h\u00e1 dois anos, diria que n\u00e3o est\u00e1vamos mal, pois o n\u00famero de cursos de audiovisual nas universidades p\u00fablicas cresceu bastante, o que se refletiu inclusive no nosso festival de cinema universit\u00e1rio e em tantos outros festivais. A liberdade de express\u00e3o e a diversidade impulsionaram um intensa e potente produ\u00e7\u00e3o, levando aos festivais filmes que refletem a forte presen\u00e7a da cultura das mais diferentes regi\u00f5es. Inventivos, engra\u00e7ados, muitas vezes tamb\u00e9m densos, tristes, os filmes universit\u00e1rios carregam a for\u00e7a de uma juventude que pensa e recria o pa\u00eds. Lembrando tamb\u00e9m que grande parte dos cineastas que hoje reinventam o cinema no Brasil veio das universidades p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De que a maneira as transforma\u00e7\u00f5es por que passaram as universidades p\u00fablicas nos \u00faltimos anos, com sua populariza\u00e7\u00e3o e mobilidade, impactaram os cursos de cinema?&nbsp;<\/strong>Houve um aumento incr\u00edvel da procura por cursos de audiovisual. As transforma\u00e7\u00f5es pelas quais as universidades p\u00fablicas passaram, trouxeram uma verdadeira chuva de esperan\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. O olhar mudou, e o sistema de cotas reajustou uma longa e injusta hist\u00f3ria de exclus\u00e3o. Nasceram a partir da\u00ed filmes de periferia com novos olhares, de quem l\u00e1 vive, mudando o discurso e a reflex\u00e3o. A autoestima \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o, e depois de 15 anos da democratiza\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas,&nbsp; podemos dizer que suas sementes j\u00e1 come\u00e7aram a frutificar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No curso de Audiovisual da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da UnB, h\u00e1 incentivo ao trabalho coletivo com a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos m\u00ednimos, como perspectiva apresentada aos alunos para a produ\u00e7\u00e3o profissional de filmes?&nbsp;<\/strong>Sim. Existe uma verba m\u00ednima para o est\u00edmulo da produ\u00e7\u00e3o coletiva, que acontece durante o 7<sup>o<\/sup> semestre, durante a disciplina &#8220;Realiza\u00e7\u00e3o audiovisual Bloco II&#8221;. Eles aprendem que o trabalho coletivo \u00e9 fundamental, que a participa\u00e7\u00e3o de cada um na constru\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 que vai dar sentido ao filme. A partir de um roteiro escrito em sala de aula e votado democraticamente, os estudantes aprendem o valor do trabalho coletivo em audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea destacaria alguma peculiaridade do curso de Audiovisual e\/ou do corpo de professores de cinema da UnB?&nbsp;<\/strong>Preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito cr\u00edtico e coletivo, da cultura ampla e sempre voltada para o conhecimento do Brasil e seu cinema, al\u00e9m da experimenta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m trabalhamos com as particularidades de cada estudante, dando-lhe os instrumentos necess\u00e1rios para o seu desenvolvimento,&nbsp; que ser\u00e1 desenvolvido nos projetos de final de curso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com a prolifera\u00e7\u00e3o de cursos de cinema no Brasil, como parte de uma tend\u00eancia mundial, a pergunta que surge \u00e9 se h\u00e1 uma ind\u00fastria forte capaz de absorver os formandos.&nbsp;<\/strong>Para surgir um ind\u00fastria forte, \u00e9 preciso investimento e uma ampla forma\u00e7\u00e3o do olhar do povo brasileiro, a partir da valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, sobretudo para absorver a riqueza do cinema que o pa\u00eds est\u00e1 fazendo. Sem isso, nossa ind\u00fastria n\u00e3o se estabelecer\u00e1, ser\u00e3o apenas lampejos otimistas. Mas sobreviveremos,&nbsp; pois continuaremos realizando nossos filmes. Depois que os estudantes conquistam sua forma\u00e7\u00e3o profissional e acrescentam mais consci\u00eancia a seu imagin\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 como det\u00ea-los  Sempre haver\u00e1 algu\u00e9m criando, escrevendo, gravando seu grito, seu poema, seu amor \u00e0 vida. Principalmente com os crescentes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, com os aparelhos celulares cada vez mais adaptados para o audiovisual, prontos para registrarem os movimentos do mundo e novas hist\u00f3rias.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 4 de outubro, a cineasta \u00c9rika Bauer, uma das homenageadas do Festival Taguatinga de Cinema de 2019, participa de um debate promovido por n\u00f3s, em parceria com IFB do Recanto das Emas, sobre o ensino do cinema nas universidades p\u00fablicas. 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