{"id":1934,"date":"2018-08-02T15:42:58","date_gmt":"2018-08-02T18:42:58","guid":{"rendered":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/?p=1934"},"modified":"2018-08-02T19:22:16","modified_gmt":"2018-08-02T22:22:16","slug":"homenageado-13-ivaldo-cavalcante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/homenageado-13-ivaldo-cavalcante\/","title":{"rendered":"Homenageado 13\u00aa edi\u00e7\u00e3o: Entrevista com Ivaldo Cavalcante"},"content":{"rendered":"<p>Quem pesquisar registros fotogr\u00e1ficos da hist\u00f3ria de Taguatinga ou do cen\u00e1rio pol\u00edtico e militante em Bras\u00edlia com certeza vai chegar nas fotografias de Ivaldo Cavalcante. Tamb\u00e9m conhecido como Kabe\u00e7a, apelido que ganhou ainda na juventude da d\u00e9cada de 70, Ivaldo \u00e9 uma das figuras emblem\u00e1ticas de Tagu\u00e1, daquelas que n\u00e3o s\u00f3 habitam a cidade, mas fazem dela mais viva, mais pulsante, mostrando para o mundo que a capital do Brasil n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 as asas do avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nascido em Crate\u00fas (CE), em 1956, Ivaldo chegou em Taguatinga aos 4 anos de idade. Veio como muitas outras fam\u00edlias retirantes, em um pau de arara com os pais e mais seis irm\u00e3os. Por aqui, foi crescendo e viveu um pouco da dura realidade dos muitos sonhadores que fizeram nascer as cidades sat\u00e9lites do DF. Foi engraxate, vendedor de jornal\u2026 se virou como pode. Na juventude, em meio a becos, pra\u00e7as e espa\u00e7os underground, encontrou e se encantou com a fotografia, arte transformada em profiss\u00e3o, marcando seu nome no fotojornalismo mundial.<\/p>\n<div id=\"attachment_1951\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1951\" class=\"wp-image-1951\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-7.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-7.jpg 1000w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-7-300x200.jpg 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-7-768x512.jpg 768w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-7-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1951\" class=\"wp-caption-text\"><em>O trabalho de Ivaldo voa o mundo, feito \u00e1guia, enquanto ele firma ra\u00edzes em Tagu\u00e1, na cidade que o escolheu. Foto: Sabrina Moura<\/em><\/p><\/div><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEnquanto Kabe\u00e7a, foi um caminhante voraz nas noites underground das d\u00e9cadas de 70 e 80. Registrou e registra cenas marcantes do cen\u00e1rio pol\u00edtico, dos movimentos de resist\u00eancia e das desigualdades sociais da capital do pa\u00eds. Seu caminho profissional na fotografia come\u00e7ou em 1980, levando-o a trabalhar para os principais jornais do DF. Ganhou v\u00e1rios pr\u00eamios nacionais e internacionais e fez exposi\u00e7\u00f5es no Brasil e no exterior, nunca deixando Taguatinga como a cidade que escolheu para viver e realizar sonhos.<\/p>\n<p>Parte do seu acervo est\u00e1 registrado em dois livros fotogr\u00e1ficos publicados:<em> Taguatinga, duas d\u00e9cadas de cultura<\/em> (2003), com momentos do movimento cultural que resistiu \u00e0 ditadura, e<em> Bras\u00edlia &#8211; 25 anos de fotojornalismo<\/em> (2011), onde seu olhar volta-se aos acontecimentos e desacontecimentos do cen\u00e1rio pol\u00edtico da capital. Seu olhar tamb\u00e9m foi parar nas telas, em minidocument\u00e1rios produzidos com celular. Em 2014, seu curta <em>O meu nome \u00e9 F\u00e1bio<\/em> recebeu men\u00e7\u00e3o honrosa no Festagu\u00e1. Talvez pela proximidade com as reda\u00e7\u00f5es, em 2000, Ivaldo criou ainda o site <a href=\"http:\/\/www.jornalolhodeaguia.com.br\/?pg=quem_samos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olho de \u00c1guia<\/a>, onde divulga eventos e produ\u00e7\u00f5es culturais da cidade.<\/p>\n<p>Indo al\u00e9m das p\u00e1ginas, telas e internet, o fotojornalista tamb\u00e9m cultiva um espa\u00e7o cultural na Pra\u00e7a da CNF, batizado de Galeria Olho de \u00c1guia. Criada em 2002, foi idealizada para abrigar seu acervo fotogr\u00e1fico, tornando-se muito maior. \u00c9 hoje um local de troca de ideias e experi\u00eancias, dividindo espa\u00e7o com o Bar Faixa de Gaza. Num clima rock\u2019n roll, que lembra bem a est\u00e9tica beatnik de Jack Kerouac, a galeria acolhe exposi\u00e7\u00f5es, mostras de filmes, feiras fotogr\u00e1ficas, pocket shows, encontros e prosas entre amigos.<\/p>\n<p>Se o movimento est\u00e1 em n\u00f3s, Ivaldo \u00e9 um sopro de realiza\u00e7\u00e3o que levanta o barro vermelho do ch\u00e3o cerratense registrando o presente. Um ser que faz jus a homenagem que prestamos no 13\u00ba Festagu\u00e1. Confira, abaixo, entrevista com esse c\u00e9lebre taguatinguense de cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<div id=\"attachment_1955\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-27.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1955\" class=\"wp-image-1955\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-27.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-27.jpg 1000w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-27-300x200.jpg 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-27-768x512.jpg 768w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-27-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1955\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ivaldo com o livro &#8220;Taguatinga &#8211; Duas D\u00e9cadas de Cultura&#8221;. Ao fundo, fotografia de Jimmy Page, amigo e guitarrista do Led Zeppelin, com o livro &#8220;Bras\u00edlia &#8211; 25 Anos de Fotojornalismo&#8221;. Foto: Sabrina Moura<\/em><\/p><\/div><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Voc\u00ea nasceu no Cear\u00e1 e mora em Tagu\u00e1 desde crian\u00e7a. Um leg\u00edtimo representante das fam\u00edlias nordestinas que vieram para o centro do pa\u00eds em busca de sonhos. Qual a sua percep\u00e7\u00e3o e o seu sentimento sobre essa cidade que te acolheu?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSou ser 100% bairrista! Aqui, em Taguatinga, fui engraxate, vendedor de pirulito e de picol\u00e9, vendi jornais nas ruas da Shis\u2013Sul e no centro de Taguatinga. Na minha adolesc\u00eancia, morei e trabalhei no Mercado Sul, na Sorveteria Polar, do meu querido cunhado, onde descobri a serigrafia e montei meu primeiro laborat\u00f3rio fotogr\u00e1fico e oficina. A fotografia foi chegando atrav\u00e9s de um grande amigo e irm\u00e3o chamado Aurelino, que me presenteou um kit de laborat\u00f3rio fotogr\u00e1fico.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Na sua juventude, voc\u00ea foi envolvido em movimentos sociais, na cena underground e milit\u00e2ncia? Conta um pouco dessa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDepois que ganhei esse kit de laborat\u00f3rio, passei a fotografar as cenas alternativas de Taguatinga e me doei durante anos fotografando todos os movimentos e tudo que se movia na cidade. Acompanhei grupos de teatro como Grupo Retalhos e Celeiro das Antas e fui testemunha ocular de todos os festivais Rola Pedra e da Faculta, al\u00e9m de fotografar tamb\u00e9m os cineclubes e eventos no Teatro da Pra\u00e7a. Fiz tudo isso at\u00e9 chegar no fotojornalismo, meu caminho natural neste percurso. A\u00ed \u00e9 outra hist\u00f3ria! Houve muitas pedras no caminho, mas chutei todas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Como voc\u00ea chegou no fotojornalismo enquanto profiss\u00e3o?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuando morava no Mercado Sul, no ano de 77, o Willian, da Sarro Disco Show, ficou sabendo que eu estava fazendo um curso de fotografia no Centro de Criatividade, hoje Espa\u00e7o Cultural Renato Russo, e me pediu pra fotografar as domingueiras que tinha no Clube dos 200. Um dia, vi uma equipe do Jornal de Bras\u00edlia vindo fotografar umas das domingueira do clube e vi que para eles entrarem bastava s\u00f3 mostrar a credencial do jornal. Da\u00ed em diante descobri que queria ser fotojornalista!<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: H\u00e1 quem diga que a imprensa morreu. Diante das mudan\u00e7as e avan\u00e7os nas novas tecnologias, e num comparativo a toda sua experi\u00eancia nessas quatro d\u00e9cadas na \u00e1rea, como voc\u00ea v\u00ea a profiss\u00e3o do fotojornalista nesse cen\u00e1rio cada vez mais digital e ef\u00eamero?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nTrabalhei durante 33 anos em jornais. A imprensa mudou muito e nessa \u00e9poca j\u00e1 havia um grande sensor de todos os jornalistas, os editores sempre usavam as tesouradas nas mat\u00e9rias feitas. Hoje nem se fala! Esse quarto poder apodreceu e esqueceu de cair. O povo brasileiro sempre foi manipulado pelos donos dos grandes jornalecos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Seu livro Taguatinga &#8211; Duas d\u00e9cadas de Cultura \u00e9 um marco para os habitantes e fazedores de cultura de Tagu\u00e1. Muitos dos lugares e figuras fotografadas ali seguem, at\u00e9 hoje, atuantes e vibrantes na cena cultural da cidade. Taguatinga respira cultura? Que cultura \u00e9 essa?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nHoje fico muito feliz em continuar fotografando essa rapaziada, que hoje est\u00e3o todos carecas, barrigudos e de cabelos brancos.Tem uma frase do cantor e m\u00fasico Belchior que gosto: \u201cO novo sempre vem\u201d. Demorou aparecer esse novo, mas hoje eles chegaram e est\u00e3o em forma de coletivos po\u00e9ticos, est\u00e3o na m\u00fasica, na imprensa alternativa e em todas vertentes culturais. Isso em todo o pa\u00eds. A periferia hoje tem mais voz e continuar\u00e1 tendo. Acredito que com essa elei\u00e7\u00e3o que se aproxima haver\u00e1 uma grande mudan\u00e7a.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<div id=\"attachment_1957\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-31.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1957\" class=\"wp-image-1957\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-31.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-31.jpg 1000w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-31-300x200.jpg 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-31-768x512.jpg 768w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-31-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1957\" class=\"wp-caption-text\"><em>Fotojornalismo e milit\u00e2ncia registrados em livros. Foto: Sabrina Moura<\/em><\/p><\/div><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Voc\u00ea acompanhou e registrou grande parte da trajet\u00f3ria pol\u00edtica de Bras\u00edlia e do Brasil, nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, um trabalho n\u00edtido no seu livro <em>Bras\u00edlia &#8211; 25 Anos de Fotojornalismo<\/em>. Muitos dos seus registros permeiam um tempo de ditadura e p\u00f3s-ditadura. De l\u00e1 at\u00e9 os dias de hoje, num Brasil em tempos de golpe, como voc\u00ea analisa a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do nosso pa\u00eds?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCostumo dizer que esse livro \u00e9 meu gibi, que vai contando hist\u00f3rias atrav\u00e9s de registros fotogr\u00e1ficos de uma Bras\u00edlia onde, h\u00e1 d\u00e9cadas, jogam a sujeira debaixo do tapete. Fico feliz em ter realizado e editado ele. \u00c9 uma overdose de imagens sobre a problem\u00e1tica social que sempre foi minha t\u00f4nica no fotojornalismo. O Brasil hoje est\u00e1 \u00e0 deriva depois deste golpe. Estamos vendo um pa\u00eds sendo desconstru\u00eddo pelos pol\u00edticos sem nenhuma moral \u00e9tica, uma verdadeira quadrilha que vinha se articulando nos por\u00f5es da corrup\u00e7\u00e3o durante os governo do PT. Hoje, no p\u00f3s-golpe, h\u00e1 milhares de empresas fechando, milhares de pessoas desempregadas. Os trabalhos informais est\u00e3o crescendo assustadoramente em todo pa\u00eds.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Outro foco do seu olhar de fotojornalista \u00e9 a vulnerabilidade social dos meninos e meninas de rua. Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de registrar essa realidade? Voc\u00ea se envolve emocionalmente na hist\u00f3ria deles?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nH\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas que acompanho essa problem\u00e1tica social, onde fotografo e filmo. Sempre usei a rodovi\u00e1ria de Brasilia e os v\u00e1rios pontos que tem muitos de meninos e meninas de rua como extens\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o. No fotojornalismo, sempre gostei de tem\u00e1ticas pesadas. Hoje, migrei para os document\u00e1rios e \u00e9 muito bom trabalhar com imagens em movimento. N\u00e3o tem como n\u00e3o se envolver. As riquezas-humanas das ruas s\u00e3o espl\u00eandidas. Esse texto, do Poeta baiano Jorge Amado, dialoga muito com meu trabalho:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cQue outra coisa tenho sido sen\u00e3o um romancista de putas e vagabundos? Se alguma beleza existe no que escrevi prov\u00e9m desses despossu\u00eddos, dessas mulheres marcadas com ferro em brasa, os que est\u00e3o na f\u00edmbria da morte, no \u00faltimo escal\u00e3o do abandono. Na literatura e na vida, sinto-me cada vez mais distante dos l\u00edderes e dos her\u00f3is, mais perto daqueles que todos os regimes e todas as sociedades desprezam, repelem e condenam.\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fYsmVtzBBU4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Sua experi\u00eancia de registro com os menores de rua culminaram na produ\u00e7\u00e3o do premiado curta <em>O Meu nome \u00e9 F\u00e1bio<\/em>, premiado com men\u00e7\u00e3o honrosa no Festival Taguatinga de Cinema, em 2014. Depois, em <em>Qual \u00e9 o seu lugar no mundo?<\/em>, a tem\u00e1tica dos moradores de rua volta \u00e0s telas a partir do seu olhar. Voc\u00ea j\u00e1 pensava em se aventurar pelo Audiovisual? Como foi esse processo e porque falar deste tema?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuando morava no Mercado Sul, na d\u00e9cada de 70, ganhei de um irm\u00e3o um livro que o Pasquim tinha lan\u00e7ado com todas as linguagens das artes. Eu j\u00e1 havia me enveredado pela serigrafia e um dos t\u00f3picos do livro era sobre cinema. Li todas as p\u00e1ginas sobre o assunto, mas era uma \u00e9poca que realizar filmes e s\u00f3 para filhos de banqueiros.Nessa mesma \u00e9poca, lan\u00e7aram a <em>Revista Iris-Foto<\/em>, que tamb\u00e9m tinha duas p\u00e1ginas sobre Super-8. A partir da\u00ed, entrei nesse universo e acabei fazendo o roteiro de um doc de fic\u00e7\u00e3o chamado \u201cJoana\u201d, sobre uma mina da periferia e seus medos diante do mundo.O doc enfoca do baixo Tagua Wall aos cabar\u00e9s do centro, tendo Joana como personagem principal.<\/p>\n<p>Quando consegui entrar nos jornais di\u00e1rios, sempre levava uma filmadora VHS na bolsa. Passei a filmar essa problem\u00e1tica social. Acho &#8216;du-carai&#8217; a democratiza\u00e7\u00e3o desse universo digital. O doc <em>O meu nome \u00e9 F\u00e1bio<\/em> foi feito com um celular. Vida longa a todos esses aplicativos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: H\u00e1 anos voc\u00ea vem cultivando a Galeria Olho de \u00c1guia, que hoje \u00e9 um reduto cultural da cidade e da Pra\u00e7a da CNF, cheia de hist\u00f3rias e parceiros. Qual a inspira\u00e7\u00e3o e os objetivos para a cria\u00e7\u00e3o da Galeria e quais projetos est\u00e3o em andamento no momento?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPois \u00e9\u2026 Taguatinga sempre foi a vanguarda das sat\u00e9lites. T\u00ednhamos o Butiquim Blues, do Marcinho, que depois veio a ser da Lazinha, o Teatro de Bolso Rola Pedra o Teatro da Pra\u00e7a, que ainda est\u00e1 em atividades. Ent\u00e3o eu tinha que realizar algo a altura desses espa\u00e7os. A Galeria \u00e9 hoje um incubadora, uma trincheira de resist\u00eancia cultural! Por l\u00e1 rola muito da cena produzida nas sat\u00e9lites, como palestras sobre gest\u00e3o cultural, coletivos e saraus po\u00e9ticos, mesa-redonda sobre m\u00fasica autoral, performances, debates pol\u00edticos, etc. A Galeria \u00e9 hoje minha caverna do s\u00e9culo XXl. Temos quatro projetos independentes em funcionamento: Cineclube Pra\u00e7a do Rel\u00f3gio, Biblioteca Gerv\u00e1sio Baptista, Voz e Viol\u00e3o para M\u00fasicos Autorais e Artista do Bairro. A cada 15 dias rola tamb\u00e9m abertura de exposi\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<div id=\"attachment_1956\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-29.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1956\" class=\"wp-image-1956\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-29.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-29.jpg 1000w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-29-300x200.jpg 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-29-768x512.jpg 768w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Ivaldo-29-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1956\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bar Faixa de Gaza e Galeria Olho de \u00c1guia, dois espa\u00e7os em um, congregando arte e encontros. Foto: Sabrina Moura<br \/><\/em><\/p><\/div><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Em 2012, voc\u00ea realizou o projeto Imagem Sem Fronteiras, trazendo para Taguatinga exposi\u00e7\u00f5es e fotojornalistas de v\u00e1rias partes do mundo. Ao mesmo tempo, suas fotos j\u00e1 foram expostas e premiadas internacionalmente. A imagem \u00e9 realmente sem fronteiras? O que a fotografia representa na sua vida?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO <a href=\"http:\/\/imagemsemfronteiras.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Projeto imagens Sem Fronteiras<\/a> \u00e9 \u00fanico na galeria realizado com financiamento, nesse caso, do Fundo de Apoio \u00e0 Cultura do DF. Realizamos em 2012 e fomos aprovados tamb\u00e9m em 2016, deixando para realizar agora, em 2018. O projeto iniciar\u00e1 agora em setembro e vai at\u00e9 novembro. De confirmados, teremos Pep Bonet, da Ag\u00eancia Noor, e o espanhol Ricardo Garcia Villa Nova. S\u00e3o sem d\u00favida nenhuma um dos melhores deste s\u00e9culo.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A fotografia \u00e9 sim sem fronteiras e tamb\u00e9m liberta como todas as artes. Para mim, ela representa o cotidiano. A fotografia \u00e9 a reflex\u00e3o do mundo.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Por Keyane Dias &#8211; jornalista cultural, poeta, terapeuta<br \/>\ne co-criadora da <\/strong><a href=\"http:\/\/pareiacomunicacao.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Pareia Comunica\u00e7\u00e3o e Cultural<\/em><\/strong><\/a><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem pesquisar registros fotogr\u00e1ficos da hist\u00f3ria de Taguatinga ou do cen\u00e1rio pol\u00edtico e militante em Bras\u00edlia com certeza vai chegar nas fotografias de Ivaldo Cavalcante. Tamb\u00e9m conhecido como Kabe\u00e7a, apelido que ganhou ainda na juventude da d\u00e9cada de 70, Ivaldo \u00e9 uma das figuras emblem\u00e1ticas de Tagu\u00e1, daquelas que n\u00e3o s\u00f3 habitam a cidade, mas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":1950,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1934","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1934"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1934\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1979,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1934\/revisions\/1979"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1950"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}