{"id":1933,"date":"2018-08-02T15:03:23","date_gmt":"2018-08-02T18:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/?p=1933"},"modified":"2018-08-02T15:56:42","modified_gmt":"2018-08-02T18:56:42","slug":"homenageada-13-marilia-abreu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/homenageada-13-marilia-abreu\/","title":{"rendered":"Homenageada 13\u00aa edi\u00e7\u00e3o: Entrevista com Mar\u00edlia Abreu"},"content":{"rendered":"<p>Mar\u00edlia Abreu \u00e9 uma mulher de refer\u00eancia na cena art\u00edstica local. \u00c9 atriz, palha\u00e7a, gestora e produtora cultural, militante, professora, m\u00e3e e empreendedora social. Nascida e crescida no Plano Piloto, h\u00e1 anos escolheu a cidade de Samambaia para viver, fazer arte e ser m\u00e3e. L\u00e1, co-criou o<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ImaginarioCult\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Imagin\u00e1rio Cultural<\/a>, espa\u00e7o de florescimento e resist\u00eancia, onde s\u00e3o desenvolvidas diversas atividades na quadra 103.<\/p>\n<p>Em conjunto a outras dezenas de agentes culturais, Mar\u00edlia participa ativamente das a\u00e7\u00f5es em prol da constru\u00e7\u00e3o do Complexo Cultural de Samambaia e da produ\u00e7\u00e3o do Sarau Complexo, realizado mensalmente em v\u00e1rios pontos da cidade, agregando diferentes manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que florescem por l\u00e1.<\/p>\n<p>Como produtora, recentemente executou o Bras\u00edlia Junina, um mega evento que impulsionou o trabalho do Imagin\u00e1rio e inovou no \u00e2mbito de Competi\u00e7\u00f5es de Quadrilhas Juninas, priorizando a vis\u00e3o do p\u00fablico e atendendo aos quadrilheiros de forma mais afetiva.<\/p>\n<p>Em meio a todas essas frentes, Mar\u00edlia Abreu ainda encontra tempo para atuar ao lado de sua filha, Maria Clara, na Cia Roupa de Ensaio. Em 2018, lan\u00e7ou o espet\u00e1culo <em>Dona Dinha<\/em>, obra inspirada nas mulheres do interior de Goi\u00e1s &#8211; religiosas, benzedeiras, m\u00e3es, av\u00f3s e bisav\u00f3s. A sabedoria feminina foi representada atrav\u00e9s de m\u00fasicas, hist\u00f3rias, causos e lendas goianas. Em 2017, atuou tamb\u00e9m no projeto de pesquisa <em>A Chegada do Mamulengo no Reino do Cavalo Marinho<\/em>, criado pelo amigo Chico Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>Confira, na entrevista abaixo, um pouco do fant\u00e1stico mundo dessa mulher cheia de hist\u00f3rias, que cria e recria o movimento em n\u00f3s com afetos e criatividade!<\/p>\n<div id=\"attachment_1940\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dona_dinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1940\" class=\"wp-image-1940\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dona_dinha.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dona_dinha.jpg 1140w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dona_dinha-300x184.jpg 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dona_dinha-768x472.jpg 768w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dona_dinha-1024x629.jpg 1024w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dona_dinha-600x368.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1940\" class=\"wp-caption-text\">Ao lado da filha Maria Clara, no espet\u00e1culo <em>Dona Dinha<\/em> &#8211; 2018. Foto: Lucas Viana<\/p><\/div><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Mar\u00edlia, voc\u00ea nasceu e cresceu no Plano Piloto, mas em um determinado momento as coisas mudaram e Samambaia se tornou seu lar e espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o. Foi Samambaia que te escolheu ou voc\u00ea que escolheu Samambaia?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNa verdade, acho que as duas coisas. Conheci Samambaia em 1999, atrav\u00e9s da minha amiga Ver\u00f4nica Moreno, ela tamb\u00e9m \u00e9 atriz e tinha um amor incondicional pela cidade. Eu, na verdade, ainda tinha aquela vis\u00e3o preconceituosa de quem morava no Plano Piloto, via tudo como uma invas\u00e3o, muita doa\u00e7\u00e3o de lote e um crescimento desordenado que traria preju\u00edzo ao Distrito Federal. Eu n\u00e3o conhecia Samambaia at\u00e9 a Ver\u00f4nica me convidar para ir na casa dela e ver a Via Sacra e o Movimento Junino na cidade. Quando eu vim, j\u00e1 n\u00e3o era uma menina s\u00f3 Plano Piloto e j\u00e1 tinha muitos amigos de todos os lugares. Logo, tive muita simpatia, mesmo a cidade ainda estando bem no in\u00edcio, era 1999.<\/p>\n<p>Em 2001, conheci meu ex-companheiro, que tamb\u00e9m era de Samambaia, e fizemos um \u201ccontrato\u201d de experimentar morar aqui e no Plano. Tanto eu quanto ele t\u00ednhamos uma atua\u00e7\u00e3o de comunidade. Antes mesmo de chegar aqui eu j\u00e1 comecei a me engajar. Em 2008, nesse teste, acabei decidindo ficar com o desejo de constituir um lugar&#8230; A Via Sacra era um projeto muito apaixonante que participei e dele nasceram muitos artistas, principalmente das artes c\u00eanicas\u2026 Viemos com &#8220;mala, cuia, menino, papagaio, boneco, empanada e figurino.\u201d Na verdade, n\u00e3o sei se foi a cidade que me escolheu ou eu que escolhi. Sinto que foi o movimento da vida mesmo. Eu vim inteira, queria morar aqui, trabalhar aqui e ver minha filha estudando aqui.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Hoje, voc\u00ea coordena o espa\u00e7o Imagin\u00e1rio Cultural, que \u00e9 uma refer\u00eancia para o movimento cultural de Samambaia e do Distrito Federal. Como tudo come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm 2011, a gente inaugurou o Imagin\u00e1rio. Sempre tivemos vontade de ter um espa\u00e7o para ensaio e em Samambaia n\u00e3o existia nenhum equipamento p\u00fablico de cultura\u2026 T\u00ednhamos vontade de realizar isso para ajudar a movimentar o cen\u00e1rio cultural, apesar de Samambaia j\u00e1 ter um movimento efervescente em diversas linguagens. Pens\u00e1vamos em forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, tudo com foco no teatro. N\u00e3o t\u00ednhamos a dimens\u00e3o do que o Imagin\u00e1rio seria hoje. Empreendemos de forma intuitiva, pensando em ofertar aulas para a comunidade, formar p\u00fablico e conectar os colegas de profiss\u00e3o para trazer espet\u00e1culos para a cidade. Intuitivamente, criamos uma rede atrav\u00e9s dos contatos com artistas e produtores que j\u00e1 conhec\u00edamos e levamos novos espet\u00e1culos para Samambaia.<\/p>\n<div id=\"attachment_1937\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Marilia-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1937\" class=\"wp-image-1937\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Marilia-2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Marilia-2.jpg 1000w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Marilia-2-300x182.jpg 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Marilia-2-768x466.jpg 768w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Marilia-2-600x364.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1937\" class=\"wp-caption-text\">Espa\u00e7o Imagin\u00e1gio Cultura, na Quadra 103 da Samambaia Sul. Foto: Sabrina Moura<\/p><\/div><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: O Complexo Cultural est\u00e1 prestes a ser uma realidade em Samambaia, cidade que, cada vez mais, se fortalece culturalmente. \u00c9 forte a articula\u00e7\u00e3o dos artistas na cidade? Existe uma cultura bairrista?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO movimento cultural de Samambaia conseguiu se articular muito bem e isso \u00e9 devido a atua\u00e7\u00e3o de alguns agentes. Sabe quando voc\u00ea t\u00e1 no lugar certo com as pessoas certas? Mas eu acho tamb\u00e9m que a cidade tem essa identidade, porque os os artistas daqui acabaram sendo bairristas mesmo, vendo a cidade como uma refer\u00eancia cultural potente no DF. E a gente conseguiu agregar v\u00e1rias linguagens. O projeto do Complexo Cultural e o Sarau Complexo est\u00e1 criando uma identidade cultural na cidade.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Qual a contribui\u00e7\u00e3o do Imagin\u00e1rio e da Mar\u00edlia no desenvolvimento cultural de Samamba?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEra uma coisa que a gente acreditava e ajudou a concretizar. E ajudamos ainda, tanto que fomos por bastante tempo l\u00edderes e fazedores (eu e Miguel). Cansei de fazer cachorro quente e galinhada em casa para levar para as reuni\u00f5es, saraus e acampamentos. A gente se disp\u00f5e efetivamente para a realiza\u00e7\u00e3o, porque acreditamos que primeiro \u00e9 poss\u00edvel e segundo \u00e9 necess\u00e1rio.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: E Roupa de Ensaio\u2026 Como o grupo se integra \u00e0 sua vida? Voc\u00ea j\u00e1 participava quando foi morar em Samambaia?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO Roupa de Ensaio nasceu de um convite do Ivan Chagas (diretor de teatro) e do Alexandre Neco (m\u00fasico) para a gente montar um espet\u00e1culo que se chamava <em>A vida \u00e9 uma \u00f3pera<\/em>. Foram vindo outras pessoas, inclusive a Ver\u00f4nica. Foi quando a gente se conheceu e conheci a Samambaia. Era um grupo de experimenta\u00e7\u00e3o e pesquisa, faz\u00edamos teatro de rua e espet\u00e1culo de teatro de bonecos. O nome foi criado depois que j\u00e1 exist\u00edamos como grupo, \u201cRoupa de Ensaio\u201d, fazendo refer\u00eancia ao rala da atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_1939\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/35410484502_09426eaa2c_z.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1939\" class=\"wp-image-1939\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/35410484502_09426eaa2c_z.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/35410484502_09426eaa2c_z.jpg 640w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/35410484502_09426eaa2c_z-300x200.jpg 300w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/35410484502_09426eaa2c_z-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1939\" class=\"wp-caption-text\">Mar\u00edlia no espet\u00e1culo &#8220;A Chegada do Mamulengo no Reino do Cavalo Marinho&#8221; &#8211; 2017. Foto: Davi Mello<\/p><\/div><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: E como chegou a profiss\u00e3o de atriz?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDesde os sete anos. Sempre fui muito apaixonada por teatro, aquela coisa em escola, igreja, acho que todo mundo come\u00e7a por a\u00ed. Na adolesc\u00eancia, eu sabia que aquilo estaria sempre na minha vida. O que me encanta em atuar \u00e9 a possibilidade de viver outras vidas, os desafios da interpreta\u00e7\u00e3o, isso de conhecer, construir e viver uma personagem que tem muito de voc\u00ea, mas n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea. Gosto do estudo mesmo, de aprofundar no estudo da personalidade, do psicol\u00f3gico emocional.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: O que te fez fazer essa curva para a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e seguir a carreira de professora da rede p\u00fablica?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN\u00e3o me adaptei ao curso de Artes C\u00eanicas na UnB. O ambiente do curso me fez n\u00e3o querer ficar. Sou geminiana e acho que, por isso, fiz uma curva e fui para a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Eu era muito apaixonada pela nata\u00e7\u00e3o e tinha um sonho em trabalhar com o p\u00fablico de alunos especiais. Como a Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica n\u00e3o tinha um vi\u00e9s educacional para esse p\u00fablico, eu vi na Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica a possibilidade. Hoje, estar no Imagin\u00e1rio e ser atriz me preenche muito mais, mas eu escolho estar em sala de aula tamb\u00e9m, porque eu acho que consigo estabelecer uma outra rela\u00e7\u00e3o com os estudantes. Agora, atendo jovens e adultos. Por meio das conversas, e n\u00e3o propriamente das aulas, eu consigo abrir uma perspectiva para esse p\u00fablico que, muitas vezes, vem de uma desestrutura. A aula, para mim, \u00e9 o que menos importa, o que importa \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do ser humano.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cEu me coloco a servi\u00e7o das pessoas, dos artistas, dos coletivos, dos estudantes e de quem quer que seja para esse encantamento com a arte transformadora.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Como \u00e9 para voc\u00ea gerenciar tantos fazeres enquanto mulher?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEu tenho uma vida qu\u00e1drupla, qu\u00edntupla\u2026 Hoje, sou atriz, gestora de um espa\u00e7o cultural, professora, produtora cultural, militante cultural e fa\u00e7o parte do Conselho de Cultura. Como produtora, eu me sinto na obriga\u00e7\u00e3o de dar suporte aqueles que me procuram para tirar d\u00favidas sobre projetos. Na vida pessoal, tamb\u00e9m sinto essas m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es, porque sou m\u00e3e e, como muitas, assumo uma casa e uma fam\u00edlia. \u00c9 tanta coisa! Mas eu tenho isso na cabe\u00e7a: \u201cN\u00e3o sou s\u00f3 eu.\u201d Acho que nunca acontece um equil\u00edbrio. Muitas vezes, deixo coisas para depois para poder terminar um projeto ou fazer uma reuni\u00e3o e a fam\u00edlia sempre sofre com isso, tanto a gente como a fam\u00edlia. A gente se cobra mas deixa rolar.. \u00c9 sempre isso: me cobro, mas deixo rolar.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Qual a sua vis\u00e3o para o futuro?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA gente tem que empregar sentido no agora sem esquecer que existe um pra frente. O meu foco n\u00e3o t\u00e1 l\u00e1 na frente, ele t\u00e1 aqui. Hoje, eu sinto falta de estar atuando mais como atriz. Uma das coisas que eu quero fazer e pretendo cada vez mais fazer \u00e9 esse meu trabalho com Maria Clara, o espet\u00e1culo <em>Dona Dinha<\/em>.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Como nasceu o espet\u00e1culo?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA <em>Dona Dinha<\/em> \u00e9 um desejo meu desde muito tempo, que nasceu de uma provoca\u00e7\u00e3o do Chico Sim\u00f5es em uma brincadeira l\u00e1 em Olhos D\u2019\u00e1gua (GO). Eu sempre tive muita facilidade com o sotaque de Goi\u00e1s, porque minha fam\u00edlia tem muito parente em Goi\u00e1s e uma amiga j\u00e1 tinha dito pra mim: \u201ca sua ess\u00eancia como personagem \u00e9 goiana\u201d. Aquilo ficou na minha cabe\u00e7a. <em>Dona Dinha<\/em> foi nascendo dessas conversas. \u00c9 um projeto que est\u00e1 pulsante e quero mostrar para o Mundo, eu e minha filha, a Maria Clara. A gente j\u00e1 fez um trabalho juntas de palha\u00e7as que tamb\u00e9m quero retomar, com as personagens Biloca e Tampinha.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Maria Clara sempre esteve envolvida no seu fazer art\u00edstico. Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3e e filha em contraste com companheiras de cena?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA Maria Clara em teatro \u00e9 muito disciplinada. Eu sempre fui muito disciplinada tamb\u00e9m, mas hoje em dia eu administrando v\u00e1rias frentes e acabo me indisciplinado um pouco. \u00c9 muito bom ter elas como companheira de cena, a gente consegue dividir bem os pap\u00e9is. Eu levo mais bronca do que dou (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cofKN3zfLY4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Quais suas refer\u00eancias femininas na cultura e na vida?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA Ver\u00f4nica sempre foi uma pessoa admir\u00e1vel, por toda a realidade de vida e pela conduta dela com tudo. Ela tem uma bondade absoluta, uma generosidade absoluta, \u00e9 uma das pessoas mais admir\u00e1veis que conheci. Minha m\u00e3e, obviamente, tamb\u00e9m \u00e9. Minha m\u00e3e nunca me tolheu, nunca limitou minha atua\u00e7\u00e3o, sempre me incentivou e nunca roubou minha identidade. \u00c9 uma pessoa admir\u00e1vel pela sua fortaleza, honestidade, pela sua bravura. Ela separou do meu pai quando eu tinha um ano, quer dizer, uma mulher separada naquele per\u00edodo, nos anos 70, criando cinco filhos sozinha, era uma mulher sensacional. Admiro muita gente na cultura. Tem a Narcha, minha amiga, colega de faculdade e atriz, uma pessoa de muita criatividade. Outra pessoa que inspira muito \u00e9 a m\u00e3e do Miguel, meu-ex companheiro, a Dona Luza, que com toda simplicidade e condi\u00e7\u00e3o de vida \u00e9 de uma sabedoria muito profunda\u2026 E as mulheres da minha fam\u00edlia de maneira geral. Falo isso na <em>Dona Dinha<\/em>, inclusive.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Como foi a experi\u00eancia com o Bras\u00edlia Junina?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO Bras\u00edlia Junina, tanto pra mim quanto para o Imagin\u00e1rio, foi um salto absurdo. Fizemos a gest\u00e3o de um recurso que nunca tivemos nas m\u00e3os e executamos um projeto grandioso em v\u00e1rias cidades. Pensamos muito no evento para o p\u00fablico e os quadrilheiros, levamos muita inova\u00e7\u00e3o, principalmente na arena, em vez de palco. Focamos muito sobre para quem \u00e9 feito o evento: uma pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o mais aconchegante e com apresenta\u00e7\u00f5es. Buscamos levar o acolhimento que o Imagin\u00e1rio realiza. No fim, recebemos muitos elogios e agradecimentos. Conseguir realizar um projeto desse de uma forma tranquila e com a responsabilidade que foi feita \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de assinar o atestado de capacidade para enfrentar qualquer coisa que vier.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Festival: Este ano, o tema do festival Taguatinga de Cinema \u00e9 \u201cO movimento em n\u00f3s\u201d. Como voc\u00ea v\u00ea o florescer do imagin\u00e1rio nesse cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNesse momento, estamos na expectativa do que vir\u00e1. Tememos pelo cen\u00e1rio pol\u00edtico cercado de incertezas, mas seguimos firmes. \u00c9 claro que onde h\u00e1 a\u00e7\u00e3o h\u00e1 floresc\u00eancia. Se existe a\u00e7\u00e3o, o florescer \u00e9 certo. Mesmo que seja mais t\u00edmido, n\u00e3o deixa de atingir os objetivos. Dependendo do que vir\u00e1, precisamos estar cada vez mais unidos e conectados com prop\u00f3sitos comuns entre artistas. Na arte, s\u00f3 pela coletividade se vence.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><em>Por Raissa Miah &#8211; jornalista no <a href=\"http:\/\/www.gunga.com.br\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Est\u00fadio Gunga<\/a> e Artista Urbana<\/em><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00edlia Abreu \u00e9 uma mulher de refer\u00eancia na cena art\u00edstica local. \u00c9 atriz, palha\u00e7a, gestora e produtora cultural, militante, professora, m\u00e3e e empreendedora social. Nascida e crescida no Plano Piloto, h\u00e1 anos escolheu a cidade de Samambaia para viver, fazer arte e ser m\u00e3e. L\u00e1, co-criou o Imagin\u00e1rio Cultural, espa\u00e7o de florescimento e resist\u00eancia, onde [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":1936,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1933","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1933"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1933\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1974,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1933\/revisions\/1974"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}