{"id":1663,"date":"2017-11-17T16:51:28","date_gmt":"2017-11-17T19:51:28","guid":{"rendered":"http:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/?p=1663"},"modified":"2017-11-17T16:51:28","modified_gmt":"2017-11-17T19:51:28","slug":"divina-luz-apresenta-personagem-a-frente-de-seu-tempo-comenta-william-alves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/divina-luz-apresenta-personagem-a-frente-de-seu-tempo-comenta-william-alves\/","title":{"rendered":"&#8220;Divina Luz&#8221; apresenta personagem \u00e0 frente de seu tempo, comenta William Alves"},"content":{"rendered":"<p>O filme Divina Luz, de Ricardo S\u00e1, do Espirito Santo, ficou entre os filmes escolhidos pelo J\u00fari Oficial do Festival Taguatinga de Cinema como os mais significativos dessa edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um filme que reconstr\u00f3i a imagem de uma das mulheres mais ousadas da d\u00e9cada de 1950, Dora Vivacqua, mais conhecida como Luz Del Fuego.<\/p>\n<p>Dora foi uma mulher \u00e0 frente de seu tempo, inspirou, nos anos 70 e 80, artistas que clamavam por mais liberdade. Rita Lee comp\u00f4s em 70 a m\u00fasica \u201cLuz del Fuego&#8221; e em 82, o diretor de cinema David Neves fez um longa-metragem com o mesmo nome.<\/p>\n<p>Dora pregava a liberdade do ser, livre dos preconceitos comuns que ela considerava ser o fruto do atraso nas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas. Escreveu o livro \u201cA verdade nua\u201d e foi uma das precursoras do nudismo no Brasil, tudo isso num pais onde n\u00e3o era permitido nem o uso de mai\u00f4 nas praias brasileiras. Como artista, hipnotizava o Brasil dan\u00e7ando, seminua, com duas cobras durante suas apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O filme de Ricardo S\u00e1, que pode ser considerado um ensaio audiovisual, cumpre bem a fun\u00e7\u00e3o ao reconstituir atrav\u00e9s de imagens de arquivo, fotos e filmes, parte da hist\u00f3ria de uma importante personagem brasileira. O gesto do cineasta na utiliza\u00e7\u00e3o de imagens de arquivos, destinados ao esquecimento \u00e9 um gesto poderoso, pois imagens de arquivos muitas vezes carregam consigo sentidos que necessitam de outros elementos, imagens e temporalidades, textos e depoimentos para se reafirmarem.<\/p>\n<p>Recentemente tive contato com a biografia do historiador franc\u00eas Jacques Le Goff, e ele dizia \u201c&#8230; o documento em muitos trabalhos art\u00edsticos, n\u00e3o \u00e9, em absoluto, algo objetivo e inocente que expresse uma verdade sobre uma determinada \u00e9poca, mas aquilo que expressa, consciente ou inconsciente, o poder da sociedade do passado sobre a mem\u00f3ria e o futuro\u201d.<\/p>\n<p>Na apropria\u00e7\u00e3o de imagens, na recomposi\u00e7\u00e3o de lugares e situa\u00e7\u00f5es de outros tempos, de um tempo passado, Ricardo S\u00e1 produz n\u00e3o apenas a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e cinematogr\u00e1fica de um lugar e de uma personagem, mas tamb\u00e9m uma percep\u00e7\u00e3o de que essa mem\u00f3ria n\u00e3o est\u00e1 congelada no tempo, que a hist\u00f3ria de \u201cDivina Luz\u201d e toda a viol\u00eancia contra a mulher sobrevivem e seguem firmes nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Mesmo assim, com toda a tens\u00e3o gerada, percebemos que o ideal libert\u00e1rio sobrevive de algum modo, aos acontecimentos que tentam sufoc\u00e1-lo e transform\u00e1-lo em algo menor, sem valor e sem a \u201cDivina Luz\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, esse ensaio cinematogr\u00e1fico, esse filme de Ricardo S\u00e1, se destaca pela abordagem do tema proposto pela 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Taguatinga de Cinema.<\/p>\n<p>E como muito bem expressou nosso genial MC Guilherme: \u201cSonhar, sonhar, lutar, lutar, sem jamais desistir.<\/p>\n<p>William Alves<br \/>\nRealizador de filmes, integra a equipe que organiza o Festival Taguatinga de Cinema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme Divina Luz, de Ricardo S\u00e1, do Espirito Santo, ficou entre os filmes escolhidos pelo J\u00fari Oficial do Festival Taguatinga de Cinema como os mais significativos dessa edi\u00e7\u00e3o. \u00c9 um filme que reconstr\u00f3i a imagem de uma das mulheres mais ousadas da d\u00e9cada de 1950, Dora Vivacqua, mais conhecida como Luz Del Fuego. 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