{"id":1109,"date":"2014-09-27T16:19:13","date_gmt":"2014-09-27T19:19:13","guid":{"rendered":"http:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/?p=1109"},"modified":"2014-09-27T16:29:27","modified_gmt":"2014-09-27T19:29:27","slug":"brasilia-em-transe-um-festival-historico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/brasilia-em-transe-um-festival-historico\/","title":{"rendered":"BRAS\u00cdLIA EM TRANSE: UM FESTIVAL HIST\u00d3RICO"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/branco-sai-preto-fica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1110 size-full\" src=\"http:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/branco-sai-preto-fica.jpg\" alt=\"branco sai preto fica\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/branco-sai-preto-fica.jpg 500w, https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/branco-sai-preto-fica-300x168.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Foi uma edi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Festival de Bras\u00edlia a que terminou ontem (ter\u00e7a-feira, 16 de setembro). N\u00e3o s\u00f3 pela decis\u00e3o in\u00e9dita, tomada previamente pelos produtores e diretores dos seis longas-metragens concorrentes, de dividir em partes iguais o pr\u00eamio de R$ 250 mil destinado ao melhor filme. Mas tamb\u00e9m pela for\u00e7a das obras exibidas, em especial do longa escolhido pelo j\u00fari oficial,\u00a0<em style=\"color: #575757;\">Branco sai. Preto fica<\/em>, de Adirley Queir\u00f3s.<\/p>\n<p>Se borrar as fronteiras entre fic\u00e7\u00e3o e document\u00e1rio j\u00e1 se tornou quase corriqueiro,\u00a0<em style=\"color: #575757;\">Branco sai\u00a0<\/em>radicaliza esse atravessamento ao fazer brotar da realidade mais brutal a fantasia mais livre e transformadora.<br \/>\nConcebido e filmado inteiramente na Ceil\u00e2ndia, cidade-sat\u00e9lite de Bras\u00edlia, o filme parte de um acontecimento traum\u00e1tico na vida da comunidade: a a\u00e7\u00e3o policial que dissolveu com viol\u00eancia um baile black nos anos 80, deixando uma por\u00e7\u00e3o de feridos.<br \/>\nEntre eles, um homem que ficou parapl\u00e9gico ao levar um tiro e outro que teve amputada uma perna esmagada pela cavalaria. Eles pr\u00f3prios narram sua hist\u00f3ria, enquanto tocam sua vida, o primeiro (Marquim do Tropa, premiado como melhor ator) colocando no ar sua r\u00e1dio caseira, o segundo fazendo pernas mec\u00e2nicas com material reciclado. Mas isso j\u00e1 pode ser fic\u00e7\u00e3o. N\u00e3o importa sabe<\/p>\n<p>CANIBALIZA\u00c7\u00c3O DE G\u00caNEROS<\/p>\n<p>O salto espetacular do filme consiste em deixar o solo seguro da reconstitui\u00e7\u00e3o documental dessas vidas destro\u00e7adas e propiciar que elas pr\u00f3prias se reinventem na imagina\u00e7\u00e3o. Os sobreviventes do massacre se tornam ent\u00e3o protagonistas de uma descabelada trama de subvers\u00e3o da ordem existente. H\u00e1 algo da loucura an\u00e1rquica do romance\u00a0<em style=\"color: #575757;\">Os sete loucos<\/em>, de Roberto Arlt, igualmente alimentada por um f\u00e9rtil imagin\u00e1rio popular que canibaliza todo tipo de refer\u00eancia cultural.<\/p>\n<p>Espionagem, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, drama social, tudo isso se mistura com a maior desenvoltura \u2013 talvez a palavra certa seja desfa\u00e7atez \u2013 ao substrato documental, que em nenhum momento \u00e9 esquecido. A trama fict\u00edcia e o registro factual s\u00e3o constru\u00eddos e expostos com a mesma espessura, amalgamados de modo inextric\u00e1vel. O resultado \u00e9 um dos filmes mais potentes e estimulantes dos \u00faltimos anos, que supera de um s\u00f3 golpe a vitimiza\u00e7\u00e3o dos oprimidos, a submiss\u00e3o colonizada a modelos narrativos hegem\u00f4nicos, a folcloriza\u00e7\u00e3o da cultura popular e uma por\u00e7\u00e3o de outros caminhos f\u00e1ceis que nosso cinema costuma seguir.<\/p>\n<p>O espectador sai da sess\u00e3o (pelo menos eu sa\u00ed) com um sentimento paradoxal: uma tristeza profunda por um pa\u00eds que continua a esmagar e mutilar seus cidad\u00e3os socialmente mais vulner\u00e1reis e, ao mesmo tempo, uma quase euforia pela cren\u00e7a revigorada na pot\u00eancia libert\u00e1ria do cinema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FONTE: <a title=\"Festival de Bras\u00edlia Branco Sai Preto Fica\" href=\"http:\/\/www.blogdoims.com.br\/ims\/brasilia-em-transe-um-festival-historico\" target=\"_blank\">Blog IMS<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foto: filme &#8220;Branco Sai. Preto Fica&#8221;, de Adirley Queir\u00f3s<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi uma edi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Festival de Bras\u00edlia a que terminou ontem (ter\u00e7a-feira, 16 de setembro). N\u00e3o s\u00f3 pela decis\u00e3o in\u00e9dita, tomada previamente pelos produtores e diretores dos seis longas-metragens concorrentes, de dividir em partes iguais o pr\u00eamio de R$ 250 mil destinado ao melhor filme. 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